Quarta-feira, 14 de Maio de 2008

A reunião da assembleia

de freguesia ontem realizada e que contou com a presença do senhor presidente da CME foi, grosso modo, uma oportunidade perdida.

Como seria de esperar, o senhor presidente não soube ou quis explicar as baixas dotações – melhor dizendo, as ridículas verbas orçamentadas para a freguesia e, muito menos, a razão subjacente a uma taxa de concretização orçamental nula, limitando-se a observar que teriam existido algumas contrapartidas.

Falou-se demasiado tempo sobre questões – perdoem-me os conterrâneos – de lana caprina que impediram a discussão de um exigível modelo de desenvolvimento e uma assumpção de compromissos a estabelecer que protocolem a afectação dos meios necessários ao mesmo.

O senhor presidente reafirmou a sua suposta vontade de fazer mais e melhor pela freguesia, sem que anunciasse qualquer meta ou meio para tal. Como é óbvio, tal é insuficiente. Não poderemos continuar indefinidamente à espera de qualquer milagrosa concretização de algumas ideias repetidamente enunciadas, tanto mais que estas têm pernas para andar e se constituem como o caminho a percorrer.

Para a questão da ligação ao sistema de saneamento que alguns habitantes reclamam e o senhor presidente diz não poder resolver, terá a CME de encontrar uma resposta. É absoluta e totalmente indecoroso que estes cidadãos se vejam obrigados a escoar os seus dejectos para a via pública por suposta falta de verbas da Câmara, enquanto a mesma continua a financiar colectividades e eventos que nada devolvem à sociedade, para não falar das prioridades que exigem a construção de equipamentos desportivos e lazer, antes de resolvidos os problemas básicos dos cidadãos.

A população em geral parece despreocupadamente desligada do seu destino. Poucos tiveram a civilidade de comparecerem a este acto e dos presentes, menos foram os que usaram da palavra. Os eleitos locais, pouco ou nada disseram que se constituíssem como valor acrescentado e se à população, de alguma forma, é desculpável o silêncio, já aos segundos, creio ser exigível uma melhor preparação bem como a obrigatoriedade de expor pontos de vista e planos para a freguesia.

Congratulamo-nos com a posição do senhor presidente quanto à questão da possibilidade de manutenção da escola local, reafirmando que não esperamos qualquer outra coisa.

Segunda-feira, 12 de Maio de 2008

Amanhã, 13 de Maio

o senhor presidente da CME, fará e gentileza de estar presente à sessão da assembleia de freguesia de Canelas, convocada para esclarecer o tratamento desigual que o executivo camarário nos entende dispensar.

Talvez fiquemos a saber dos critérios que levam o executivo a atribuir à freguesia valores orçamentais que melhor se classificam como esmolas do que intenções de investimento.

Da decisão de encerrar a escola sem qualquer informação ou consulta à Junta de Freguesia.

Da nulidade da taxa de efectivação do orçamento do ano pretérito.

Da eterna exclusão nos planos de desenvolvimento concelhio.

Do saneamento que não chega a todas as habitações mas, das quais recebe os respectivos impostos.

Da imutabilidade do PDM que impede que vivamos na nossa terra.

Enfim, amanhã será dia de milagre

Quarta-feira, 7 de Maio de 2008

resposta ao Sérgio

O Sérgio Paulo Silva, fez publicar, algum tempo atrás, no Jornal de Estarreja, a sua opinião sobre a questão da caça no Baixo Vouga. Com a habitual brilhante prosa que o distingue, reclama por escrito, as boas graças a Deus, e ao Diabo também, enquanto nos descreve os horrores que presenciou e que o levaram a deixar de caçar. Vale a pena ler.

Declara-se horrorizado com as práticas de abate indiscriminado perpetrado por alguns energúmenos que para ali vão dar azo aos seus instintos mais primitivos, ao mesmo tempo que repreende o seu sobrinho “Vladimiro Jorge (a quem há poucos anos tinha aconselhado a aprofundar os assuntos antes de emitir opiniões) e de outros que com ele se envolveram na cruzada” que entende ser, o movimento pelo fim da caça na zona.

E eu que sou um dos outros, sinto-me na obrigação de, uma vez mais, explicar que a dita cruzada, não é contra a caça nem, contra os caçadores, mas sim, contra o amor declarado pela morte das aves. Este grupo de cidadãos que ocasionalmente se juntou para denunciar um crime continuado e pedir o seu fim, aparece aos olhos do Sérgio como o mais terrível fundamentalismo que, esse sim, urge crucificar.

Apenas para clarificação do próprio, não sou um ecologista fundamentalista nem nutro qualquer preconceito contra a prática da caça ou, contra caçadores. Assiste-me o respeitável direito à não caça, o mesmo que os praticantes reclamam de, caçar.

Compreendo a posição do Sérgio; preferiria que, como noutros tempos, houvesse civilidade, ética, respeito pelas leis e pela natureza. A realidade, nua e crua, está por demais relatada e testemunhada. Numa sociedade sem valores nem respeito, perigosos, não são os que defendem a vida.

Quanto à discussão do assunto que, parece estar a chegar à quietude da assembleia municipal, da qual nada se espera, seria aconselhável que as entidades envolvidas se sentassem e resolvessem o problema sem delongas, paninhos quentes ou subsídios com dinheiros públicos.

Segunda-feira, 28 de Abril de 2008

Estarreja dos pequeninos

As miseráveis alegações, a pequenez intelectual que castra esta terra, a minudência para que são votados os assuntos mais importantes, o nível rasca da discussão, conjugados com a necessidade de ganhar a vidinha, ou a dependência do subsídiozinho, exasperam o comum dos mortais.

Por aqui, tudo se trata entre dichotes, esquemas (estratégias, perdão) partidários ou privados, palpites, algumas peixeiradas, e a total inconsequência da conversa de malucos que, por inimputáveis, jamais são responsabilizados.

Sem querer maçar os leitores, lembro alguns dos assuntos, importantes, à escala local, que ficaram em águas mornas ou, de bacalhau:

1. O despejo ilegal de lamas frescas em terrenos desta freguesia de Canelas. Passados cerca de dois anos, a empresa responsável, ainda não foi sancionada.

2. O envenenamento do esteiro. Parece que ninguém conhece – porque se não interessa – o desfecho da investigação.

3. Os casos falados do desvio de inertes, do eco-parque.

4. O movimento pelo fim da caça no Baixo-Vouga lagunar (certamente devido ao financiamento camarário, através da atribuição de subsídios, à entidade gestora da caça municipal.

5. O inaceitável encerramento do atendimento nocturno no HVS que a política local, entende um benefício à população.

6. Vem agora, este bem-humorado sketch relatado pelo Vladimiro e pelo , sobre a passagem do TGV pelo concelho.

Por cá vamos rindo, enquanto a vida nos passa à porta, para sustento de uns poucos, e tristeza dos demais.

Quinta-feira, 24 de Abril de 2008

Cabras e vacas



Terça-feira, 22 de Abril de 2008

Photographo d'Aldeia

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Ler os outros

Sobre o tema do post anterior, a ler no Jumento, um excelente artigo.

gerontologia

A senhora Ferreira Leite, putativa candidata à liderança dos cacos em que está transformado o PSD, será a solução que o partido encontrou para perder com a dignidade possível, as próximas eleições.

Da sua passagem por um anterior governo, recordo o início da obsessão pelo défice, a venda do património público e de dívidas incobráveis, o discurso dos sacrifícios e, do não baixar impostos. É pouco e mau. Muito mau.

Caso a sua candidatura passe nas bases do partido, faltará convencer os portugueses dos seus méritos. Que poderemos esperar de um candidato que terá setenta anos aquando do próximo acto eleitoral e de quem se não conhece qualquer projecto para o país?

Que, a vencer as eleições, e num quadro de médio prazo (oito anos) para qualquer governação, seria primeiro-ministro com cerca de oitenta anos?

Pois é! O futuro é já amanhã.

Fim das urgências no HVS II

Tenho alguma dificuldade em aceitar o mal menor. O cumprimento por parte do Estado, do protocolo que encerra a urgência do HVS, não é para mim assunto que mereça festejos. Eu sou declaradamente contra o encerramento deste serviço. O preço que os portugueses pagam pelo SNS é demasiado elevado, tendo em conta o péssimo serviço que este lhes presta. Basta lembrar o tempo de espera para uma cirurgia ou, para um exame oftalmológico.

Desconfio do mundo maravilhoso a instalar nesta unidade de saúde, inconciliável com a permanência de um médico e um enfermeiro entre a meia-noite e as oito da manhã. Desconfio da vocação para a cirurgia ambulatória, prenúncio do fim dos internamentos.

Desconfio dos serventuários sempre prontos a lamber os sapatos a quem lhes esteja acima, enquanto vão fodendo o povo com falinhas mansas.

Fim das urgências no HVS

O PS-Estarreja, congratula-se pelo encerramento do serviço de urgência do Hospital Visconde de Salreu.

Devo reconhecer que festejar o fim de um serviço essencial aos cidadãos e contra a vontade dos mesmos, exige uma dose cavalar de cinismo, aliado ao desprezo mais profundo. Tudo se passa e decide no meio de gente que considera os seus concidadãos bosta de vaca.

A bosta, entretanto, continua sem saber o que efectivamente encerra. O atendimento médico e socorro entre a meia-noite e as oito horas de cada manhã ou, o atendimento e socorro, tal como é feito actualmente, a qualquer hora do dia, substituído pelas consultas abertas.

Presumo que também o PSD/CDS esteja igualmente a festejar este enorme benefício conquistado para os doentes concelhios.

Deus nos guarde, desta gente, e da doença.

Segunda-feira, 21 de Abril de 2008

Photographo d'Aldeia

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múmias

Umas peças de museu masturbam-se intelectualmente no Prós e Contras. Dizem banalidades a propósito do PSD. Estamos bem fodidos!

irresponsáveis

Dois milhões de euros, do erário público, para apoiar um rapazola que gosta de corridas de automóveis. É normal, diz um idiota qualquer. O estado teve de cumprir a sua obrigação. É esta gentinha que vai empurrando o país para o fundo, e o povo para a miséria. Portugal não passa de um manicómio em tamanho XXL.

Domingo, 20 de Abril de 2008

O Costa das urbanizações

O senhor Costa, edil de Lisboa, alminha muito dada a jardins e urbanizações, pretende demolir a estação de Santa Apolónia, urbanizando o espaço respectivo ou, transformando-o num terminal para cruzeiros.

Há no homem, um hiato tenebroso no que respeita a cultura e mundanidade. Uma alma caridosa deveria dizer à criatura que a Europa civilizada, preserva os seus mais emblemáticos edifícios, normalmente marcos civilizacionais que, perdida a função inicial, são transformados em espaços públicos como restaurantes ou museus. O d’Orsay, estabelecido na velha Gare d’Orsay, é apenas um dos muitos exemplos que se encontram por essa Europa fora.

Vamos esperar para ver a barbárie na zona ribeirinha. A dupla Costa/Júdice, não augura nada de bom para a cidade. O Poder está tomado por hunos cujos valores, são apenas os contáveis.

Photographo d'Aldeia

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Sexta-feira, 18 de Abril de 2008

novas oportunidades

Eh pá! Parece que o PSD abriu vagas para novos comediantes…

Terça-feira, 15 de Abril de 2008

Crónicas na Rádio Voz da Ria

a pard’ilhós ensamble e ao vivo.

Tive o privilégio de assistir ao lançamento do mais recente disco do grupo a par d’ilhós ensamble, realizado com a simplicidade e modéstia apenas acessíveis a quem já percorreu muita estrada, por assim dizer.

O grupo presenteia-nos com uma enorme maturidade musical, tratando temas da nossa música tradicional, vestida e composta num excelente naipe de vozes que violinos e violoncelos casados com os instrumentos de cariz mais popular, acompanham divinamente.

Todos teremos uma qualquer ideia da cultura – ou falta dela – de que o país padece e empobrece, sucessivamente tutelada ministerialmente por figuras irrelevantes que fazem fretes a amigos e organizam algumas poucas manifestações para glorificação dos seus pares. Enquanto povo, passamos ao lado do mais elementar na alimentação do espírito. Contentamo-nos com o pimba, a anedota fácil, o fraco espectáculo de uns rapazolas a correr atrás de uma bola ou, ao comentário amorfo da graçola inútil de que se nutre a ignorância.

Estes nossos amigos de Pardilhó serão do melhor que culturalmente, o Concelho pode oferecer e mostrar ao mundo. Um importante contributo para a preservação e divulgação do nosso património musical. Creio poder afirmar que estão ao nível dos melhores grupos nacionais, e ainda assim, ignorados por editoras e distribuidores.

Andam nisto por gosto próprio, para deleite e enriquecimento cultural de quem tem a rara oportunidade de os ouvir. Os seus trabalhos não estão no mercado porque, como me dizia o Nuno Alexandrino, director musical do grupo – ninguém lhe liga nenhuma. Pois não sabem o que perdem. A RVR, perdoar-me-á a publicidade gratuita mas, isto é serviço público; podem obter os discos do grupo pedindo-os através do e-mail apardilhos@hotmail.com ou, pelo telefone 234 851 326.

Da minha parte, ficam os maiores encómios ao grupo a par d’ilhós e o pedido de que continue esta luta desigual entre a sua grande qualidade, e a mediocridade pimba estabelecida neste país onde a cultura é tão deficitária. Fica igualmente o rogo à nossa RVR para que lhe dê espaço, voz, e a devida divulgação. É uma medida de higiene intelectual, e um favor que faz aos seus ouvintes.

E assim vos deixo. Esta é a última, da série de crónicas para que a RVR teve a gentileza de me convidar e por tal, me despeço dos ouvintes, que tenham tido a paciência ou bondade de escutar os desabafos semanalmente, aqui pronunciados.

O meu obrigado pelo honroso convite e o incentivo para que continue a dar voz aos cidadãos do Concelho. É uma das poucas oportunidades que estes têm para publicamente manifestarem a sua opinião e igualmente, uma oportunidade para quem detém o poder, de escutar a opinião da rua. Todos ficamos a ganhar.

Até sempre.

Domingo, 13 de Abril de 2008

Imprescindível


a par d’ilhós, ensamble e ao vivo. Soberbo e obrigatório.

Photografo d'Aldeia

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Sábado, 12 de Abril de 2008

A opereta de Gaia

Por uma questão de assertividade, um país de anedotas, tem de ser governado por comediantes. E porque não em Cernelhais. Hã? Qualquer artolas de Lisboa pode perfeitamente ir tratar da operação à próstata a Cernelhais.

Ninguém diz a estes idiotas que o país já disse que não quer ser regionalizado?

Jornal de Estarreja - 125 anos

E assim se passaram 125 anos, a dar voz ao Concelho de Estarreja. Felicitações ao nosso Jornal de Estarreja e, obrigado, pelas novas que leva da nossa terra, a quem está longe. Parabéns ainda pela inovação, excelente aliás, que é a sua página na internet.

Quarta-feira, 9 de Abril de 2008

Ainda a vêr comboios

Quando a Marisa espirra, os seus opositores constipam-se.” Certamente que por falta de interesse no Notícias d’Aldeia, o Vladimiro não será visitante frequente – e não tem de ser. De outra forma, já teria compreendido que eu não sou opositor da referida senhora. Nem dela, nem de ninguém. Creio que por mais de uma vez, já aqui escrevi que não tenho amigos nem inimigos políticos. Nutro por todos o respeito que me merecem, e deles espero que desempenhem as funções que lhe são atribuídas com lealdade, seriedade e competência. É tudo!

Enquanto cidadão – independente e distanciado - e contribuinte, exerço o direito de cidadania, de pedir contas e responsabilidades aos titulares de cargos políticos o que, entendo por um contributo mais responsável, do que andar a colar cartazes nas paredes, carregar candidatos aos ombros ou, dar vivas a patetas. Não sou simpatizante e muito menos filiado em qualquer partido, e não faço oposição, rigorosamente, a ninguém.

Assim como já critiquei a sua posição quanto ao HVS, no post infra, saudei a líder concelhia do PS pela pedrada no charco da questão do TGV, que peca por tardia. Aliás, um assunto de tamanha importância para o desenvolvimento local, ter sido desleixado por todas as forças locais, é uma irresponsabilidade criminosa.

E já agora, Meu Caro Vladimiro, não deixa de ser curiosa a coincidência de o PS-Estarreja, vir a lume com a questão, quatro dias depois de eu mesmo, a ter referido no Jornal de Estarreja. Pela reacção, concluo que também eu, me desleixei com o assunto.

Terça-feira, 8 de Abril de 2008

A vêr os comboios

Enquanto Albergaria avança para um surto de desenvolvimento sem precedentes, Estarreja nem sequer esboça qualquer aproveitamento marginal, potenciando as freguesias fronteiriças que poderiam acolher empresas e pessoas que ali se irão instalar.

Eureka! É a primeira vez que, de parte das estruturas políticas concelhias, alguém diz alguma coisa sobre o assunto. Receio que com os vagares na formação de comissões, estudos e discussões, venhamos a ter qualquer posição muito depois de os comboios circularem. Ficaremos a vê-los, como habitualmente.

Saúde-se a líder do PS pela iniciativa.

Crónicas na Rádio Voz da Ria

Parabéns à prima

Os noticiários da televisão portuguesa fazem-se, por estes dias, à porta do estádio do Dragão, abrindo todo o espaço noticioso à melhor imbecilidade lusitana. Tudo o que há a dizer sobre o país, resume-se à opinião de um qualquer emplastro, sobre a conquista de um campeonato de futebol. Como por magia, evaporaram-se os problemas nacionais. Não há crise que o futebol não possa vencer.

O enceramento das urgências hospitalares, as falências e deslocalizações das empresas, o desemprego, a luta dos professores, entre outros, passaram a assuntos secundários. Virou-se a página porque o futebol clube do porto, ganhou o campeonato. Parabéns à prima!

Vivemos ainda, os tempos do fado, futebol e Fátima. Esgotamos energias, recursos económicos, intelecto e tempo, com futilidades. Damos o nosso melhor no apoio ao clube do coração, e o pior no desempenho produtivo. Defendemos a murro as cores do clube, e assistimos serenamente impávidos e, pela televisão, ao encerramento dos nossos hospitais.

O Concelho mantém a expensas públicas, dois campos de futebol nos quais, duas agremiações desportivas, disputam uns campeonatos lá para as calendas dos escalões terciários da organização futebolística, o que interessará aos praticantes e entretêm meia-dúzia de aficionados locais. Não vem grande mal ao mundo. Os contribuintes lá vão pagando as estruturas e respectiva manutenção, acrescido de mais uns subsídios para ir aguentando os clubes.

Como é evidente, não têm qualquer representatividade nacional, nem mesmo regional. Uma destas colectividades é última classificada de uma obscura série B da segunda divisão e no entanto, o espaço que ocupam na comunicação social local, é desproporcionada. As partidas têm relato em directo, programas dedicados na rádio, ocupam metade do jornal local com crónicas e detalhados relatos, sempre dignos de qualquer série de humor, nos quais, as equipas sempre se portam à altura de um Manchester United e, não fora as sistemáticas maléficas arbitragens, estariam a competir nos mais altos escalões do futebol mundial.

E ocupam todo este espaço comunicacional, porque, segundo os responsáveis, leitores e ouvintes, se interessam pela vida e sucessos desportivos destas colectividades. Eu não estou tão certo, nem nutro qualquer interesse por tais assuntos. Este empolamento dado aos clubes, melhor se justifica pela pobreza intelectual do Concelho. Na falta de outras preocupações, de notícias, de opinião, de factos, de dinamismo, acção ou intervenção, ocupam-se os meios de comunicação com futebol, mais que amador, de trazer por casa.

É uma forma de manter a bovinidade geral neste deserto de ideias. Enquanto se ocupa o povo com frivolidades - que sempre ajudaram a manter qualquer regime – este não questiona coisas sérias. Pagamos a nossa própria estupidificação na forma de estádios e erva.

Tudo a bem da nação, como se compreende.

Photografo d'Aldeia

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Segunda-feira, 7 de Abril de 2008

Orgia de betão

Esta orgia de obras socialistas vai acabar mal. O Dr. Salazar andou vários anos a fazer contas para garantir que o país podia pagar a actual ponte 25 de Abril. Só então se decidiu.

Esta gente tagarela de hoje, deve acordar, olhar-se ao espelho e determinar; hoje vou mandar construir um novo aeroporto ou, dez novas barragens, uma nova ponte sobre o Tejo, um pacote de novas auto-estradas, meia-dúzia de hospitais, uma dúzia de estádios de futebol ou outra pôrra qualquer em betão.

Não tenho qualquer dúvida que o próximo governo - tal como o actual - vai encontrar as contas públicas num caos. Que vai determinar a subida de impostos e exigir mais sacrifícios ao povo. É só esperar que as facturas comecem a chegar.

Mulher de César

Mas foi isso mesmo que eu disse. Claro que, sem o mesmo brilhante cinismo. Uns patamares abaixo, mesmo!

Domingo, 6 de Abril de 2008

Orçamentos virtuais

Para lá da iniquidade dos orçamentos miseráveis que a CME atribui à freguesia de Canelas, comportamento, parece, extensivo a Fermelã e Veiros – comunidades que não fazem parte do eixo de investimento – ou custo - idealizado para Salreu, Beduído, Avanca e Pardilhó - há um segundo aspecto ainda mais imoral – se tal é possível - que é a taxa de execução dos mesmos.

Os orçamentos para esta freguesia, de si, constituem uma mera listagem de obras eventuais, algumas mesmo, virtuais, atiradas para o papel, sem consulta prévia, levantamento de necessidades ou, concertação com os autarcas locais, logo, pouco susceptíveis de efectiva concretização. Algumas, andam dois ou três anos nos papeis, apenas para fazer número, acabando por desaparecer dos mesmos sem qualquer realização e, substituídas por outras que igualmente, nunca verão a luz do dia.

Do orçamento para 2007, a Junta desconhece o que terá sido realizado, já que ignora se os estudos e elaborações de projectos inscritos, foram ou não concretizados, o que pouco abona a favor da comunicação entre a autarquia e as juntas e, muito diz, do relacionamento entre estes órgãos, ou ainda, da consideração da Câmara de Estarreja pela Junta de Freguesia de Canelas.

De um total orçamentado de 212.000 €, 37.000 € destinavam-se à elaboração de projectos que se ignora se foram ou não iniciados ou, concluídos. Dos restantes 175.000 € destinados a obras a concluir no ano de 2007, nada, rigorosamente nada, foi executado. Iniciou-se o alargamento da Rua do Corgo, já no final do ano, encontrando-se actualmente a obra parada e, a respectiva verba, novamente inscrita no orçamento para 2008.

Ou seja, mesmo que todos os estudos e projectos tenham efectivamente sido concluídos - bondade nossa, da qual duvidamos - a taxa de execução do orçamento de 2007, para Canelas, foi de 17,5%, correspondendo ao total da verba orçamentada para os estafados estudos e projectos. Cerca de 7.400 contos, foi quanto a CME redistribuiu a esta freguesia, caso tenha efectivamente realizado os ditos porque, em obra feita, zero; zero foi quanto a CME gastou em Canelas no ano de 2007.

As verbas, ainda que de pequeno montante, estavam destinadas a esta freguesia mas, aqui não foram investidas, legitimando o pedido de esclarecimento ao executivo, sobre o destino dado ao dinheiro. Terá siso gasto na árvore de Natal? Nas câmaras de vigilância do parque Antuã? Em subsídios a caçadores e pescadores desportivos? Canelas também é Estarreja, caso os senhores autarcas o não saibam ou, tenham esquecido e, a gente que aqui habita é tão digna e Estarrejense como a das freguesias que merecem orçamentos milionários, pelos vistos, ainda assim, insuficientes.

Não esperamos milagres, pois percebemos a inexistência de qualquer visão estratégica de desenvolvimento para o Concelho e, constatamos o abandono a que estamos votados. O que se vai fazendo, é gastar o dinheiro pontualmente em obras lúdicas e prioridades mais que discutíveis, que confortam as clientelas e garantem os votos necessários à continuidade do circo. Ainda assim, reclamamos o que nos é devido com a frontalidade e o direito que nos assiste. Enquanto Albergaria avança para um surto de desenvolvimento sem precedentes, Estarreja nem sequer esboça qualquer aproveitamento marginal, potenciando as freguesias fronteiriças que poderiam acolher empresas e pessoas que ali se irão instalar.

Vivemos neste imenso marasmo criminoso, porquanto anula o nosso presente e futuro, embalados em contos orçamentais e habilidades contabilísticas, vítimas de gestão merceeira e de um desrespeito inadmissível por parte de quem nos governa. É tempo de dizer basta! Quem não nos respeita, não é merecedor da nossa confiança e, não merece o nosso voto.

Publicado no Jornal de Estarreja de 04/04/2008

Sexta-feira, 4 de Abril de 2008

De uma cajadada

Escreve a imprensa sonsamente, que o senhor Coelho, vai deixar a política. Dito assim, até parece que esta antiga glória socialista, se retira para algum convento a fim de expiar os pecados.

Neste país onde se confundem os interesses da indústria do betão com a política que se faz, nos 34 anos pós 74, não houve governo que delineasse estratégia que não passasse pelas as grandes obras públicas. Somos hoje um país periférico inculto, atrasado e pobre mas densamente cimentado. Entre estradas, estádios de futebol, barragens, pontes, aeroportos e outras obras, o presente e futuro dos pobres portugueses foram hipotecados para alimentar o lóbi da construção que em troca, vai pagando campanhas políticas e dando emprego a meia dúzia de serventuários.

A Mota-Engil, empresa que muito tem prosperado e agora escolheu o senhor Coelho para presidente, fez naturalmente uma boa escolha. Quem melhor que o dito, conhecerá os corredores do negócio?

Quinta-feira, 3 de Abril de 2008

Mexeriquices

Conversa de café em torno da mexeriquice política não faz o meu género nem conduz a lado algum.

Eu não culpei o PS local pelo facto do Joaquim Pereira ter terminado a sua participação nas crónicas da RVR. O que eu disse, foi “corre em Estarreja que aquele partido teria interferido no facto.”

As fontes que o referem são adultas e sérias, merecendo-me toda a credibilidade; sendo certo que o PS tem tentado condicionar a opinião pública, não me consigo rir, do humor que estará subjacente.

Já a classificação de fenómeno que arrasa a cena política local, me parece uma tirada esgalhada ao modo do gato fedorento. Acontece que a líder local do PS não me causa qualquer impressão nem lhe reconheço qualquer acto que mereça qualquer menção particular. Aliás, não lhe ouvi uma ideia, um desígnio, um objectivo para o Concelho, o que já tive oportunidade de lhe dizer. Penso mesmo que, ao momento, não reúne condições mínimas para se candidatar à presidência da Câmara.

De um político, espera-se mais do que criticar, falar do passado ou, propalar ambições pessoais. Já anteriormente manifestei considerar que tal não é forma de fazer política nem sequer, maneira de estar na vida.

A política instituída já apresentou resultados. Maus, muito maus. Mais do mesmo, a gente não quer.

Terça-feira, 1 de Abril de 2008

A senhora Adozinda

A senhora Adozinda “terá confirmado que autorizou os alunos a manterem os seus telemóveis ligados, permitindo-lhes inclusivamente que ouvissem música.”

Mas que espécie de professor, autoriza os alunos a ouvir música, enquanto dá aulas? Que consciência de dever cumprido terá esta criatura? Que dignidade, perante uma sociedade que lhe paga para ensinar, formar e educar?

E que sistema, que entidade patronal sustenta colaboradores que se demitem totalmente dos seus deveres e responsabilidades?

Sem dúvida que, estão bem uns para os outros.

Crónicas na Rádio Voz da Ria

1 de Abril

Os bons exemplos, como se diz, devem vir de cima e difundidos por estas terras de Deus, para divulgação da fé, dos bons costumes, e das práticas iluminadas no respeito pelas leis, e pela moral republicana.

A autarquia, tendo aberto concurso para admissão de um jurista, bastante necessário, diga-se, após rigorosa selecção, estamos seguros de que terá escolhido o melhor que se apresentou. Preterindo gente perigosa com anos de exercício da profissão, cheia de manhas e saberes, muito bem terá optado por um jovem licenciado, isento dos vícios e práticas que se aprendem nos tribunais, por força dos muitos processos e do pó acumulado nos calhamaços legais que originam conjuntivites e problemas respiratórios, o qual pó, poderá até, afectar o raciocínio no entendimento da jurisprudência, acrescendo que a inocência, sempre é uma virtude que leva ao reino dos Céus.

Como sabemos da lisura e transparência de processos, estamos certos que o facto do eleito ser um ex-líder da JSD local, e actual deputado à assembleia municipal, pelo mesmo partido, é uma mera e inconveniente coincidência que em termo ou tempo algum, poderá ser associada aos famosos jobs for the boys, prática partidária nacional que, felizmente, se não verifica na nossa terra. E se por acaso, alguma mente eivada de malvadez e parca de inteligência, tal ideia fizer, seguramente arderá excomungada nas eternas chamas do inferno.

E mesmo o facto de ser filho de pai jurista avençado na Câmara e, por acaso, de mãe chefe de divisão na mesma, tal apenas significa que a inteligência é hereditária e que sai aos seus. Que se não levante torpe suspeita ou insinuação de qualquer favorecimento, pois acreditamos piamente na bondade da rigorosa isenção tida na apreciação dos méritos dos candidatos, como é apanágio da nossa autarquia que soube ainda dar um pequeno contributo para baixar a praga do desemprego, entre os jovens licenciados.

Estamos pois radiantes por esta acertada contratação e também esperançados na competência do escolhido que brilhantemente se distinguiu na prova da entrevista, esperançados dizia, de que possa fazer uma interpretação mais próxima do espírito do Código do Processo Administrativo, deixando de se ver custas, onde se recomenda gratuitidade.

Mais uma vez, ficamos em divida de gratidão à nossa autarquia por nos saber servir com tão grandes almas, de tão excelsa erudição que nós, povo ignaro e ingrato, não sabemos merecer, tal empenho, isenção, dedicação e competência.

Tudo a Bem da Nação, eu seja ceguinho!

Primatas

As dificuldades de fazer de Portugal um país moderno, desenvolvido, economicamente viável e culto, assentam essencialmente no primitivismo destes bípedes.

Segunda-feira, 31 de Março de 2008

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Os democratas

O Joaquim Pereira, cronista de serviço às segundas-feiras na Rádio Voz da Ria, despediu-se hoje dos ouvintes, antecipando o final da sua participação, nesta série de crónicas.

Fê-lo, claramente magoado e desiludido com o país que temos, sem pormenores sobre as causas que motivaram o seu auto-afastamento.

Corre por Estarreja que o motivo se prende com o desassombro com que o Joaquim se terá referido a alguns titulares de pastas ministeriais, do governo PS, frontalidade essa que terá levado a estrutura local dos “pais da democracia” a encostarem o cronista à parede.

A ser verdade, é apenas mais um acto censório a juntar aos inúmeros que se conhecem. Basta lembrar o caso do blog Do Portugal Profundo, o do Prof. Charrua, as visitas da polícias aos sindicatos, a tentativa de controlo dos media, etc., etc.

A tendência destes socialistas para abafar a opinião pública e, para o totalitarismo, é indisfarçável e consequente. As palavras proféticas do Jorge Coelho "quem se mete com o PS leva” estão hoje materializadas.

Resta-nos correr com esta gentinha, não é?

Barbaridades


A CME inscreveu no orçamento de 2007 o alargamento da Rua da Barroca, obra que se deveria realizar em 2008 mas, que não aparece mencionada no orçamento deste ano. Do que foi falado, é que todo o alargamento se faria sobre o lado esquerdo, destruindo para tal, um moinho cuja data de construção se desconhece, sabendo-se que foi reconstruído em 1845, e que é um dos últimos que nos restam.

A tradição da moagem nesta freguesia é de todos conhecida – ou, deveria ser – e inscreve-se no nosso parco património cultural como uma das actividades mais importantes aqui desenvolvidas. Enquanto noutras terras se recuperam estas estruturas integrando-as em rotas e actividades turísticas, para não ir mais longe, enquanto Albergaria recupera os seus moinhos, Estarreja destrói o pouco património de que tem obrigação de cuidar.

O mais caricato, é que no lado contrário da referida rua, não terá que destruir nada, pois apenas ali existem terrenos agrícolas. Sabemos que a cultura - não gastronómica - não é o forte dos homens das obras de Estarreja mas, não haverá ninguém que ultrapassado o estado intelectual primitivo, tenha o bom senso de pôr mão a estes desmandos?

Sexta-feira, 28 de Março de 2008

Fábulas de trazer por casa

Aterrorizado, o pequeno rato correu para junto dos outros animais da quinta. Esbaforido e com os nervos à flor da pele, guinchou aos outros animais:

- Amigos, há uma armadilha na casa. O patrão comprou uma ratoeira e armou-a dentro de casa, por isso, tenham cuidado!

A galinha, do alto da sua bela crista, foi cacarejando:

- Pois isso é um grande problema para si, senhor rato! Para si que vive lá em casa, não para mim, que nem lá entro.

O porco grunhiu:

- Pois amigo rato, é um problema que terá de resolver. Como não me diz respeito e eu nada posso fazer, tenha paciência. Quanto muito, lembrá-lo-ei nas minhas orações!

Mugiu a vaca:

- Ó senhor rato, e acha que eu estou em perigo. Pensa que eu vou cair na armadilha? Não lhe parece que sou grande demais?

O rato, abatido e cabisbaixo, voltou para casa. Apreensivo, pensava na ratoeira e nos perigos que a armadilha representava. A falta de solidariedade dos companheiros e a sua despreocupada insensatez, aumentavam a sua amargura.

Não conseguia pregar olho. O problema da ratoeira, martelava a sua pequena cabeça. Na quietude da madrugada, ouviu-se o barulho do desarme; um enorme “traz” ecoou no silêncio despertando o vozear alvoraçado da mulher do lavrador que se precipitava para a ratoeira. Ao lusco-fusco, não viu a enorme cobra presa nos arames que lutando para se libertar, se lhe agarrou à perna cravando-lhe os dentes prenhes de veneno.

Fechara o hospital da terra pelo que o lavrador demorou muitas horas até à cidade mais próxima. Voltou com a mulher alguns dias depois, mas o veneno ficara-lhe muito tempo no corpo, misturando-se-lhe no sangue e esvaziando a vida que se ia perdendo nos delírios das febres e esvaindo-se nas cascatas de suores. Não queria comer, que não tinha apetite.

Uma canja, pensou o lavrador, uma canja é que lhe vai fazer bem. Se bem o pensou, melhor o fez. De cutelo na mão, foi buscar a sua mais gorda galinha, a da bela crista, e matou-a.

Mas a mulher não melhorou. Vizinhos e amigos vinham visitá-la e como a doença se prolongava, cada vez mais gente vinha. Com tantas bocas em casa, o lavrador viu-se obrigado a abater o porco para dar de comer às visitas.

Tudo em vão. Uns dias depois, a mulher morreu. Muitas pessoas vieram para o funeral, tantas, que o lavrador teve de sacrificar a vaca para alimentar toda aquela gente.

No seu buraco, o pequeno rato filosofava sobre a questão. Todos pensavam que o problema era apenas meu pelo que todos estariam a salvo do risco. Afinal, porque havia uma armadilha em casa, toda a quinta corria perigo.

Quinta-feira, 27 de Março de 2008

Photografo d'Aldeia

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