
Enguias e Murtosa, foram a minha ocupação do fim de semana. Perceberão porquê. Fui fazer umas fotos ao Cais do Bico da Murtosa, das quais aqui Vos deixo uma. Este local é uma dávida da natureza para regalo dos nossos olhos e agrado dos sentidos. Admirem pois, o Bico da Murtosa, em todo o seu explendor. E lá fui porque creio ter lido algures que se vão fazer obras no cais. A concretizarem-se, certamente melhorarão o acesso e facilitarão o trabalho dos que o utilizam. Mas perder-se-á para sempre o natural encanto deste deslumbrante local. Antes de começarem as obras, façam fotos, filmes, gravem na memória, porque esta beleza será para sempre transfigurada. O progresso tem sempre duas faces!
Gastronomia da nossa aldeia (e da região)
Ontem, Sábado, comprei no mercado de Estarreja, enguias. Grossas e gordas, pareceu-me uma mistura de enguias locais (com tons de amarelo ouro sobre a pele) e, de viveiro, de um verde mais escuro, sem o amarelo característico das da nossa zona e de paladar igualmente diferente. De qualquer forma, no conjunto, deram uma formidável caldeirada. Hoje cozinhei-as para o almoço e saiu-me uma caldeirada deliciosa que me incapacitou para qualquer actividade durante uma boa parte da tarde.
Este prato tão característico da nossa terra transporta-me até aos meus primeiros anos, na década de 1950. Nessa época, o nosso campo, era prenhe de peixe. As valas eram autênticos viveiros naturais e uma grande riqueza para todos nós. Foram tempos difíceis, mas as valas forneciam-nos gratuitamente o peixe que não podíamos comprar. Um fim de tarde, uns bitorões, e tínhamos enguias para caldeirada, para fritar, fazer arroz de enguias ou, sopa de enguias.
Mas tudo se altera e infelizmente, o nosso campo é hoje um deserto, não de água, mas de peixe. Resta-nos o mercado e as enguias de viveiro.
Ainda que todos os da aldeia saibam fazer uma boa caldeirada, aqui fica, para os meus leitores de outras paragens que não conhecem os pequenos segredos da verdadeira caldeirada de enguias, a receita que hoje cozinhei. Só não fiz uma foto porque a gula reclamava urgência. Fica prometida para a próxima.
Ingredientes para 4 pessoas
Ingredientes para 4 pessoas
• 1,2 kg de enguias
• 600 g de batatas
• 100 g de unto de pão velho (gordura da barriga de porco que se deixou rançar)
• 1 dl de azeite
• 2 colheres de sopa de vinagre
• 2 dentes de alho
• 2 cebolas grandes
• 1 folha de louro
• 1 ramo de salsa
• 1 colher de sobremesa de pós de enguia (Pessoalmente misturo na mesma proporção, gengibre com açafrão)
• sal grosso
Confecção
Amanham-se as enguias e esfregam-se com sal grosso, lavando-se posteriormente em várias águas para se retirarem todos os resíduos viscosos (galheiras). Cortam-se em bocados, grandes.
Descascam-se as batatas e cortam-se às rodelas finas – mais grossas se as enguias também o forem. Descascam-se e cortam-se as cebolas ás rodelas, igualmente finas.
Num tacho largo põem-se as enguias, as batatas e as cebolas, em camadas alternadas. Cada camada é regada com azeite e temperada com alho, louro, salsa, pós de enguia e sal.
Corta-se o unto em fatias finas e dispõe-se por cima. Rega-se com um copo de água. Pessoalmente rego-as igualmente com um pouco de vinho branco, reduzindo a água. Tapa-se a caldeirada e deixa-se cozer entre 20 a 30 minutos.
Depois das enguias cozidas, o que se reconhece facilmente pela consistência, retira-se o unto e esmaga-se com sal grosso. Junta-se o vinagre a esta papa, que se dilui depois com três ou quatro colheres do caldo da caldeirada. O preparado obtido tem o nome de «moira» e é deitado sobre a caldeirada que se tapa seguidamente e se serve breves instantes após.
Quem não tiver ou quiser utilizar unto, pode dispensá-lo, borrifando a caldeirada com o vinagre, logo que esta esteja pronta, tapando-a de seguida por breves momentos.
Descascam-se as batatas e cortam-se às rodelas finas – mais grossas se as enguias também o forem. Descascam-se e cortam-se as cebolas ás rodelas, igualmente finas.
Num tacho largo põem-se as enguias, as batatas e as cebolas, em camadas alternadas. Cada camada é regada com azeite e temperada com alho, louro, salsa, pós de enguia e sal.
Corta-se o unto em fatias finas e dispõe-se por cima. Rega-se com um copo de água. Pessoalmente rego-as igualmente com um pouco de vinho branco, reduzindo a água. Tapa-se a caldeirada e deixa-se cozer entre 20 a 30 minutos.
Depois das enguias cozidas, o que se reconhece facilmente pela consistência, retira-se o unto e esmaga-se com sal grosso. Junta-se o vinagre a esta papa, que se dilui depois com três ou quatro colheres do caldo da caldeirada. O preparado obtido tem o nome de «moira» e é deitado sobre a caldeirada que se tapa seguidamente e se serve breves instantes após.
Quem não tiver ou quiser utilizar unto, pode dispensá-lo, borrifando a caldeirada com o vinagre, logo que esta esteja pronta, tapando-a de seguida por breves momentos.
E se estiverem por cá e Vos for acessível, acompanhem com um bom vinho de lavrador, que além de os haver bons, ainda são feitos com uvas!
Bom apetite, que cá por casa não vai faltando!

