Quarta-feira, 11 de Outubro de 2006

Os Zabumba


No início do séc. XX, ninguém podia abusar dos Zabumba, porque, cada Zabumba, cada pau. Um dia, o velho Zabumba, ao cair da noite, manda os dois filhos mais novos ao Roxico, buscar vinho para a refeição. Os rapazes lá foram e pegaram-se com os Morgados e os Mortágua que se julgavam donos do lugar e não gostavam de ver por lá, rapazes de fora.

Os Zabumba voltaram a Canelas mal tratados, chorosos e, sem o vinho. Contaram aos irmãos mais velhos o que se tinha passado e estes prepararam-se de imediato para a desforra. O António, não encontrou a foice mas pegou num moual e, o Manuel, um pau de junquilha que vergava e tinha uma ponta de ferro. Puseram-se a caminho e quando chegaram ao Roxico, andavam os Morgados e os Mortágua, acompanhados à viola, a cantar:

Venha lenha, venha lenha
Queremos morrer queimados
Venham os de Canelas
Debaixo dos nossos cajados

Começou o reboliço e o da viola caiu logo junto com um Morgado. O tampo da viola ficou virado para cima e levou tamanha pancada que se ouviu em todo o lugar. A barafunda era tanta que se começou a gritar que andava lá o Salvino Matos, - que também era um bom caceteiro - . Os dois Zabumba valiam por muitos e foi tanta a pancadaria e tanta a gritaria do povo que parecia que andava o diabo à solta no lugar.

Os do Roxico ficaram muito mal tratados e levaram os Zabumba à justiça. No dia do julgamento, a sala do tribunal de Albergaria-a-Velha estava repleta de gentes de Canelas e Fermelã – freguesia a que pertence o Roxico - . A determinada altura, o juiz perguntou:
- Se os senhores foram mal tratados no Roxico, por que é que lá voltaram? Ao que responderam os Zabumba:
- Então, eles não queriam lenha?

Adaptado de, O Nosso Livro – de António Domingues de Sá