Sexta-feira, 3 de Novembro de 2006

É p'ra 'qui Alberto!

Festejávamos o nosso padroeiro, S. Tomé, a 21 de Dezembro de cada ano. Devido ao habitual mau tempo, organizava-se uma curta procissão que dava a volta pelo Calvário e recolhia à igreja.

Acontece que no ano de 1939, havia alguns mordomos que moravam ao campo da Cruz e, como o tempo ia bom, resolveram pedir ao padre César que se fizesse a procissão até ao dito local. O padre, franziu o sobrolho e disse que não.

Os mordomos, insistiram na sua pretensão. Voltaram a falar com o padre e este, voltou a negar-se.

Saiu a procissão e o bom tempo mantinha-se. Os mordomos, à saída da igreja, resolveram levar a deles avante e, mandaram as bandeiras seguir rua Direita abaixo. Quando o palio saiu já a procissão ia a meio da rua. O padre César, quando vê o rumo da procissão, levanta a voz e diz ao Alberto Maginário:

- É p’rá ‘qui Alberto! E vira à esquerda em direcção ao Calvário.

E seguem a cruz e o palio para o traçado habitual e o resto da procissão, para o Campo da Cruz.

Quando na frente da procissão se percebe que o padre foi pelo caminho habitual, estabelece-se grande confusão. Em apressada correria, rua Direita acima, os participantes na procissão tentam incorporar-se na frente do novo percurso. Atropelam-se, gera-se grande burburinho, acabando por se rasgar uma das bandeiras.
Tudo terminou em paz mas, ficou célebre a expressão do padre César. Durante muito tempo, a propósito de tudo e nada, se dizia.

- É p’ra ‘qui Alberto!

Adaptado de, O Nosso Livro, de António D. Sá
Fotografia de Narciso Cruz