Quarta-feira, 31 de Janeiro de 2007

A Confissão do Moleiro

O Criador chama o moleiro à sua presença:

Moleiro anda p’ró Céu
- Senhor não tenho vagar
- Tenho o fole na moenga
- Que está por maquiar

O Criador: Então como fazes a maquia?

Vem a mulher, tira o que quer
Vem a Maria, tira a maquia,
Vem o patrão, tira o maquião,
Vem o criado, tira mais um bocado,
E ainda há-de dar p’ro vinho e p’ró tabaco
E p’ra ração do burro qu’anda fraco
Este fole (saco) deita-se p’ra’quele canto
E se o dono demorar,
Tira-se outro tanto,
E não fora contas a Deus ter que dar,
Nem o fole vazio ao freguês ia parar.

Defunto o moleiro, bate às portas do Céu:

Abre a porta ó S. Pedro
Abre a porta, deixa-me entrar
Diz-lhe o Santo, tu não entras
Sem o padre te confessar
Por isso aqui fica à espera
Enquanto um vou procurar

Volta o Santo afogueado
Dizendo preocupado,
Procurei bem procurado,
Em todo o céu e mais algum
Moleiros, ‘inda vi um,
Padres..., é que não vi nenhum