Estarreja, passou na televisão, num daqueles programas de entretenimento. Três horas do habitual vazio que caracteriza o país. Do tema, o carnaval, pouco se poderia esperar para além das imbecilidades próprias do evento. Ainda assim, a imagem dada de Estarreja, poderia ter sido digna. E não o foi.
O Concelho tem efectivamente pouco a mostrar, pouco de que nos possamos orgulhar mas, não é apenas a miséria cultural, económica e social que passou na Praça Francisco Barbosa. O Concelho tem instituições seculares de que se pode orgulhar. Grupos musicais que não envergonham, muito pelo contrário, cotam-se entre o que de melhor poderá existir no país. Uma gastronomia rica e peculiar.
Não sei se o modelo do programa é efectivamente aquele. Se assim for, merece distinção entre os meios de imbecilização que asseguram a perenidade do cortejo. Cantigas brejeiras em sol e dó, batuques vários, uma mostra de uma caldeirada de enguias, artesanato em miniatura e conversa boçal.
É o maior evento de Estarreja, disse o senhor presidente da autarquia. E eu tive vergonha.

