É notável a lata de certos gajos que tendo responsabilidades políticas no Concelho de Estarreja – entenda-se, votar de acordo com a determinação do partido, em troca da senhita de presença, e até outras oportunidades - vão procurando habitar o mais longe possível. Locais onde existam hospitais com urgências 24h/dia, rede de transportes públicos, boas zonas habitacionais, comércio moderno, e sem terem de respirar ares impregnados de merda, enquanto vão defendendo exactamente o fecho de urgências hospitalares, ou a construção de bacias de dejectos a céu aberto, nas zonas onde exercem a tal (i)responsabilidade política. É a habitual e característica, esperteza saloia. Não é por acaso que o país se encontra como o conhecemos e vivemos.
Convém esclarecer as populações que a Simria é uma das empresas do Grupo Águas de Portugal, empresa esta detida a 100% pelo Estado logo, os investimentos das empresas deste Grupo são públicos, quer dizer, pagos e repagos ad eternum, pelos contribuintes. Na estrutura accionista da Simria, o Grupo Águas de Portugal detém 67,7 do capital, dividindo-se os restantes 32,3% pelos diferentes municípios do Distrito de Aveiro.
Isto para que se perceba, que na pretensão da Simria de construir uma bacia de efluentes em Canelas, não há qualquer intenção altruísta ou benemérita para com os habitantes de Canelas e Fermelã. O que acontece, é que a EEN9 nas condições actuais, já não responderá ao volume de efluentes que transporta, o que origina frequentes despejos para as águas do Ribeiro, como aqui já foi dito. Pretendendo a Simria alargar a sua área de intervenção aos Municípios de Oliveira de Azeméis, Oliveira de Frades, São Pedro do Sul, Sever do Vouga e Vouzela, compreende-se melhor a necessidade e urgência da construção da referida bacia.
O recurso a estas baías, a construir a 200 metros de habitações, é perfeitamente terceiro mundista, soluções empresariais economicamente baratas, cujos verdadeiros custos são transferidos para quem tem de viver próximo destas selvajarias, e só possíveis pela passividade, falta de informação e exigência de gente maioritariamente inculta, iletrada e atrasada, pastoreada por indivíduos que apenas defendem interesses pessoais, ou de grupo. Será falta de mundo mas, não conheço nenhuma destas estruturas junto de aglomerados populacionais importantes. Quantas existirão em Lisboa ou no Porto, junto de habitações? Mesmo em Aveiro, quantas existem?
Eu atrevo-me a sugerir à Simria, uma localização mais próxima de Aveiro para a construção da dita. Terá por lá defensores de tal obra, gente insensível a maus cheiros, talvez apreciadora de tanques de cagalhões misturados com mijo, e disposta a defender projectos desta natureza, contra qualquer bicho careta que mantenha um cómodo de sanidade mental e pretensão de viver com a qualidade de vida minimamente exigível por quem já tenha saído da idade das trevas.

