O Jornal de Estarreja, informa-nos que o PSD já tem candidatos à Junta de Freguesia desta aldeia de Canelas. As poucas palavras referidas e atribuídas ao jovem senhor candidato são, no mínimo, de grande infelicidade e despropósito, talvez na linha do Tino de Rãs, perfeitamente enquadradas na generalizada infantilidade que por aqui, fez escola.
Efectivamente, a questão da idade não é atributo. Não garante incompetência, nem o seu contrário. Agora o que se espera, é que seja posto um fim a este interminável pagode que mantém o país no lugar que ocupa; o último. Os cidadãos conscientes, estão cansados de pão e circo, bem como de alimentar bonzos e demais comedores.
No caso, os nossos jovens candidatos, deveriam primeiramente, explicar-nos as razões das suas candidaturas. O que os move, quais os objectivos e, que compromissos assumem com os eleitores. Só então os poderíamos levar a sério.
Litanias de vestir a camisola da terra, continuar o trabalho feito, apoiar crianças e idosos, remodelar o centro cívico, ligar a freguesia a Albergaria ou dinamizar o parque de merendas, é conversa para adormecer boi. Aqui no terreno ao lado, pastam dois bezerros com dificuldades de sono. Podem começar aqui.
Conversa séria, é explicar-nos com que dinheiro apoiaria a Junta, idosos e crianças e, em quê. Com o orçamento local, só se os levarem ao colo de casa ao centro de dia, e vice-versa. A hipotética remodelação do centro cívico, seria uma obra da CME – que já anda nos orçamentos e intenções camarárias há anos – e não da Junta que, aliás, não tem quaisquer competências neste âmbito. A ligação a Albergaria, idem idem, aspas aspas - e aqui nem a CME tem as necessárias competências. Agora quanto à dinamização do parque de merendas, está tudo dito. Quem tem tal coisa como prioridade social ou mesmo preocupação, está perfeitamente apresentado e nem precisa de lucubrar qualquer outro esforço intelectual.
O jovem senhor candidato, desconhecerá talvez que a prioridade da freguesia, é a revisão do PDM que a estrangula ao ponto de obrigar a generalidade da sua pouca juventude, a ir viver para outras paragens e que, sem gente, sem nova construção, sem produtividade, sem comércio, sem uma franja populacional activa e criadora de riqueza, a aldeia apenas espera a sua própria morte. Por isso, o seu único objectivo, compromisso com os eleitores, deveria ser, o de lutar pela alteração do dito PDM. Limpar anualmente as valetas ou aumentar a área do cemitério, não colhe e para nos dar música, já temos a respeitável Banda Bingre Canelense.
É certo que os partidos estabelecidos, nunca tiveram tanta dificuldade em encontrar quem vá mantendo a sua eternização, como agora. É compreensível que se vejam obrigados a baixar a fasquia da exigência. Ao que julgo saber, nos derradeiros dois anos, metade da população da freguesia, foi auscultada para o efeito. Quem tem a maturidade necessária ou reconhecidas competências, recusou e bem, continuar a participar nesta interminável palhaçada. É tempo de ganharmos juízo e mudarmos de vida.
Os senhores candidatos, sejam quem e quantos forem, não o serão por obrigação. Mas, ao sê-lo, deverão seriamente, explicar aos eleitores, motivos e propósitos. Do pouco reproduzido no Jornal de Estarreja, compreende-se que o fraco dito não é de origem pessoal ou seja, o senhor candidato não adianta nada de próprio. Estará a tempo de elaborar um programa, firmar compromissos com a população e negociar com os partidos que o apoiam, a necessária sustentabilidade do dito. Apresentado comprometida e seriamente, terá seguramente o apoio que as suas propostas merecerem. O que foi dito, não vale nada. De outra forma, seria proveitoso ao país e naturalmente, à aldeia, que repensasse a candidatura.

