Diversamente tenho manifestado o afastamento e mesmo repúdio que me merece o sistema partidário vigente. Considero-me cidadão vitimado pela partidocracia na figura da muchachada que alegre e irresponsavelmente, tomou conta do país, e o conduziu ao lugar que hoje ocupa; o último na EU e na generalidade dos indicadores sócio-económicos.
Vivemos numa sociedade ficcionada, alicerçada na propaganda e irresponsabilidade que todos pagaremos. A vida fácil dos subsídios, dos Magalhães, das novas oportunidades, da certificação de competências, do crédito fácil, está no fim. Amanhã mesmo, será divulgado um relatório sobre o programa das novas oportunidades que arrasa o dito pela inutilidade de se gastar muitos milhões de euros, a fazer crer que um papel qualquer, capacita quem quer que seja de competências e conhecimentos que efectivamente, não adquiriu, nem ninguém reconhece.
Em boa verdade, não temos outros partidos, nem outra gente. Somos quem somos, a viver de expedientes porque o trabalho duro será para outros povos. Estamos chegados a um tempo de escolhas. As eleições deveriam ser uma coisa digna e séria, porque é a gente que se escolhe que determina o nosso futuro. Infelizmente, as coisas não são assim. Vota-se num regedor porque este passa convenientes atestados de pobreza, num presidente de câmara porque nos emprega um familiar, num governo por simpatia, ou fé no partido. São as escolhas que se fazem numa sociedade onde é permitido e aceite que o partido leve a passear os eleitores idosos, quatro dias antes das eleições. Ao aceitarem tal, os próprios eleitores são coniventes com esta enorme desonestidade e actores do ficcionismo anteriormente referido.
Aqui pela minha aldeia, creio que o PSD foi, desde sempre, o partido vencedor. Esta hegemonia, construiu-se em tempos de caça às bruxas, na convicção de que os comunistas iriam tirar as parcelas aos seus proprietários. Hoje, não é muito diferente. Quem vota, e tem ainda pesadelos com o comunismo, vai na excursão à Quinta da Malafaia, organizada pelo Câmara, ou seja, pelo partido no Poder, e quem não pensa assim, não vota. Entenda-se que comunistas, são todos os partidos à esquerda do PSD. A imbecilidade é tanta e tal que nesta aldeia rural, pobre e estagnada no tempo, o segundo partido mais votado é o CDS, uma agremiação semi-privada cujos simpatizantes cabem num táxi, e representa nada na sociedade portuguesa.
O resultado, e outro não seria de esperar, é o do total desrespeito e abandono desta freguesia, por parte do PSD que, desde a democracia e apenas com um intervalo, gere o Concelho de Estarreja. Aplica-se aqui, o caso da esposa, a tal que está sempre certinha. Merecemos anualmente um orçamento camarário de 250.000 euros, cuja efectivação se faz normalmente pela metade. É quanto investe a CME/PSD nesta freguesia, por ano. Compreende-se que se não possa fazer balanços. Não há nada feito para além do que o magro orçamento permite. As ruas estão limpas. É este o balanço que se pode fazer da gestão da CME enquanto liderada pelo PSD, para esta freguesia de Canelas.
Somos 1.500 pessoas, com uma média etária bastante elevada, temos um restaurante, um mini-mercado e uma micro-empresa do sector da construção, que vão dando uma mão de empregos, quando há trabalho. No presente mandato, a CME fez construir uma piscina em Estarreja e remodelou Pardilhó. É tudo.
As freguesias pequenas, lideradas por eternos crentes do PSD, consolidaram o atraso e a velhice dos seus habitantes. Estes, também não conhecem do mundo o necessário para exigirem outra coisa. Concedem o voto por uma excursão a Viana do Castelo, uma tigela de caldo-verde e uma sardinha no pão. São almas que consideram tal evento, um luxo que a extrema pobreza económica e intelectual, agradece. Um dia diferente neste pasmar dos dias sempre iguais, sentados num mocho ao portão ou, nas cadeiras de pau do centro-de-dia, até que a morte se lembre deles.
É esta a obra do PSD na CME.

