Como habitualmente em períodos que antecedem eleições, por estas aldeias, lava-se a cara às paredes, varrem-se as ruas e inauguram-se obras de faz de conta, como fontanários, rotundas ou parques de merenda. O truque habitual para ganhar eleições. Excursões de velhinhos à mistura e ladainhas muito cristãs sobre o melhor caminho, missinhas em directo de Veiros com o senhor presidente na primeira fila, num daqueles actos essenciais que são as aparições, o folclore eleitoralista excita estas almas simples que na sua imensa fé e ignorância, vão agravando a ruína do país.
Ano após ano, este, empobrece e endivida-se. As futuras gerações serão sistematicamente mais pobres que as antecedentes. Os reformados, verão sistematicamente as suas pensões diminuídas. Quem tem poder económico, já pôs os filhos a salvo. Estudam e crescem no estrangeiro. Por cá, ficam os pobres de dinheiro e espírito, a defender quem os fode.

