Ao que se diz pela freguesia, o senhor António Simões, actual presidente da Junta de Freguesia, será novamente candidato nas listas do PSD, aos órgãos locais. A ser verdade, a mesma pessoa que ainda há pouco se declarava ao Jornal de Estarreja, farto e indisponível para se recandidatar, lá dá o dito por não dito, e promete continuar a sustentar as incúrias, injustiças, desleixo, incompetência e desprezo com que a autarquia tem tratado esta freguesia de Canelas.
Igualmente o José Matos, ufanamente se declara pronto para continuar o combate político. Combate político? Antes de falar em combate político, o Zé deveria explicar-nos qual a ideologia, quem e quais interesses defende, no seu “combate político”.
Dispenso estes folclores de engana tolos. Se ambos, independente e reconhecidamente de serem boas pessoas, tivessem um módico de consciência social, vergonha na cara também serviria, seguramente não seriam candidatos a nada, por nenhum partido. O trabalho que desenvolveram fala por si. O país que resultou está aí, traduzido no endividamento galopante do Estado e das famílias. No mais de meio milhão de desempregados. Nos salários mais baixos da Europa. Na rapinagem fiscal a que são sujeitos os trabalhadores por conta de outrem. Na justiça submissa ao poder político. Na falência de muitos milhares de empresas. No ensino que não prepara ninguém para a vida, antes promove sucessivas vagas de gente licenciada em alguma coisa, sem que saiba coisa alguma. Nos reformados e pensionistas que depois de uma vida de trabalho sofrem ainda a indignidade da recorrência à esmola pública, e privada.
Ambos, José Matos e António Simões, validaram as políticas locais de abandono das pequenas freguesias praticadas pelo actual executivo autárquico, os orçamentos de 250.000 euros para as mesmas, a cobrança de todas as taxas e impostos locais nas mais elevadas percentagens permitidas por lei, permanentes políticas de lazer nas quais se enterraram dinheiros públicos sem qualquer mais valia ou retorno. Terminaram em apoteose ao aprovarem a entrega e gestão das águas do concelho pelo prazo de 50 anos e em regime de exclusividade, a uma empresa constituída para o efeito, e de permeio, albergar rapaziada diversa.
A repetência das suas candidaturas significa tão só, a repetência das mesmas políticas megeras, de entretenimento social, vazias e inócuas quanto aos reais interesses das populações, criminosas no que respeita ao afundamento do país. E não estou a confundir o concelho com o país. As autarquias são as principais responsáveis pelos gastos do Estado, as primeiras responsáveis pela qualidade de vida dos cidadãos. Os ratos que vão mijar no mar, fazem-no porque sabem que todas as pinguinhas, contam.

