A pobreza de espírito é um produto da ambiência social, cultural e económica. Num país como este socrático Portugal, milagre seria não termos mais bestas por metro quadrado do que moscas ao sol.
O avacalhamento dos tempos e das instituições, não será alheio ao fenómeno. A unidade familiar, o casamento e a dignidade pessoal não fazem parte do código de conduta de muito ser, dito gente. Por isso, subsistem indivíduos que mudam de fêmea mais rapidamente do que tomam banho. Juntam-se, fazem um filho à dita e passam a outra. Esta, já com filhos de outras relações, emprenha mais uma vez, enquanto o cobridor muda de estábulo e vai emprenhar outra. E assim sucessivamente.
Actuam na irracionalidade do macho com cio. Fazem filhos e deixam que as fêmeas os criem. Estas, por sua vez, fazem o que podem para alimentar as bocas que vão chegando à mesa. Não deixam as crias morrer à fome mas, mais que isso não sabem ou podem. Criam a prole no exemplo que dão, criando novos machos e fêmeas que por sua vez, e salvo raras excepções, se constituem no que viram fazer.
A vox populi, condena sistematicamente o macho, um desgraçado que não tem onde cair morto; ela é que ainda lhe tem de dar para o vinho e o tabaco que ele, nem para si mesmo ganha. Como se ela, na mesma irracionalidade ciosa, não fosse tanto ou mais responsável pelos filhos que deita ao mundo sem que tenha condições mínimas para os criar e educar, convenientemente.
Criam-se. Abandonam precocemente a escola e seguem a esteira dos pais. Eles a vadiarem, elas a dias onde calha. A sociedade precisa desta força de trabalho imbecil, barata, fácil e dócil. O país a braços com uma baixa natalidade, agradece, pelo que nem me admiraria que o governo estabelecesse qualquer subsídio que ajudasse à subsistência ociosa destes machos reprodutores, ainda que numa sociedade normalmente civilizada, fosse mais natural passar-lhes uma corda ao pescoço e levá-los ao veterinário. Para castrar.

