A candidatura de Fernando Mendonça divulgou no nº 4 do jornal de campanha, as suas intenções urbanísticas para Estarreja, melhor dizendo, para Beduído. E desde já, tiro-lhe o chapéu. Chama-se a isto, ver em grande. Fazer crescer a cidade nas margens do seu Rio é algo tão óbvio que espanta que assim não tenha sido.
Várias vezes aqui falei no desmoronar de Estarreja, na liquidação do seu comércio, na total falta de atractividade para se viver e trabalhar. Finalmente, apareceu alguém que abriu os olhos para a dita cidade e viu, viu aquilo que qualquer um pode ver, desde que queira abrir os olhos.
É um projecto muito ambicioso mas, talvez o único capaz de fazer com que Estarreja mereça a designação de cidade, uma aldeia autopromovida na vaidade de ser chamada de cidade. Esta proposta de dar vida e qualidade ao local, contrasta e diminui as obras ridículas dos pavilhões polidesportivos à dúzia, os campos de malha ou as piscinas municipais, obras nas quais se gastaram milhões sem que nada de significativo para a cidade ou para a vida dos habitantes, tenha ficado.
Parabéns à candidatura de Fernando Mendonça, quanto mais não seja, pelo agitar da pasmaceira em que Estarreja tem vivido nos derradeiros anos. E também um alerta. O Concelho não se esgota em Beduído antes, deve ser objecto de uma visão de abrangência territorial, concretizada num plano de desenvolvimento global com prioridade às pequenas freguesias às quais o governo PSD/CDS, agora chegado o tempo eleitoral, pinta as paredes dos cemitérios, à pressa.
Sem a revisão do PDM, o Concelho não tem por onde crescer. A ser verdade que o executivo em funções deixou passar os prazos para a sua revisão, é uma catástrofe para a região. O desleixo com que a Câmara tem tratado os assuntos verdadeiramente importantes, não prenuncia nada de bom. É tempo de os cidadãos porem mãos ao trabalho e fazerem o que tem de ser feito.

