Realizou-se ontem a derradeira assembleia de freguesia desta, cada vez mais, aldeia. Um acto surrealista que pede meças a qualquer espectáculo de stand-up comedy, desta vez com grande assistência constituída pelos elementos das duas listas candidatas, e os três fregueses habituais nestas sessões. De qualquer forma, meia bilheteira.
Pontos altos foram a apreciação e votação ad hoc de assuntos financeiros, introduzidos no decorrer da sessão que a mesma assembleia aprovou na base da confiança na seriedade da Junta, sem qualquer estudo, ou documento de suporte.
Mas, o momento da noite, foi o relatório da situação financeira. O senhor presidente, recitou de cabeça, valores aproximados dos montantes em caixa, valores aproximados das dívidas a fornecedores (sem esquecer umas sandes em dívida à banda) e, transferências em dívida pela CME. Ficámos sem saber, como é óbvio, qual a situação financeira, ficando subentendido que é apertada. Tudo isto devidamente aceite pelos excelentíssimos membros da digna assembleia.
Não está em causa a seriedade de qualquer dos eleitos, nem a boa vontade em abdicarem de algumas horas da sua vida para constituírem este órgão de poder. O que está em causa, é o cumprimento da lei, a eficácia da gestão, e o papel da própria assembleia cuja existência se justifica pela obrigatoriedade de fiscalização dos actos da Junta, papel esse que se não consubstancia na aceitação de contas, recitadas de memória. Desconheço se o conceito de mapas de fluxo financeiro, ou outro semelhante, se aplicam à gestão pública mas, um mínimo de rigor na prestação de contas públicas, deveria ser exigível.

