Quarta-feira, 9 de Setembro de 2009

o Esteiro do Ribeiro e outras pinturas

Nos próximos dias, o executivo camarário, inaugurará a requalificação da boca do Esteiro de Canelas e, presumo, a pintura do muro do cemitério velho, ambas de indizível e essencial valor para quem aqui vive, e muitíssimo apropriadas ao período de folclore eleitoralista que atravessamos, até porque os mortos ganharam muita qualidade de morte, e a merda que a Simria vai despejando para a fossa do Esteiro, fica agora melhor enquadrada.

Estes são somente dois pequenos exemplos desta política local de faz-de-conta. O arranjo paisagístico do Esteiro não foi pensado como uma melhoria concreta a realizar nesta aldeia. Integra-se num vasto projecto financiado com fundos europeus e que visa a requalificação de todas as ribeiras do Concelho. Se está melhor que antes, sim. Está. Não passando de uma lavagem de cara em nada comparável com o que foi feito, por exemplo, na Ribeira da Aldeia em Pardilhó, ficou melhor.

De fundo, é que o Esteiro de Canelas não tem a utilidade da Ribeira de Pardilhó, nem outra que o armazenamento das inúmeras descargas que a Simria para ali faz, em águas estagnadas, poluídas, e impróprias para qualquer uso. Isto, porque se trata de um braço da Ria que à mesma, não tem ligação. O Esteiro de Canelas não passa de uma vala fechada contendo muitos milhares de metros cúbicos de dejectos vários que se acumulam a cada dia que passa.

O corte da ligação à Ria, feito ilegalmente por um anterior presidente da Junta, por meio de um aterro constituído de entulhos diversos, teria como utilidade, permitir a travessia entre as margens, a meio caminho. As consequências destes actos imponderados, estão aí. Criou-se uma fossa a céu aberto, estagnaram-se as águas, perdeu-se a navegabilidade, matou-se as espécies piscícolas, e a aldeia perdeu a sua ligação à Ria. Em boa verdade, o Esteiro morreu e a aldeia foi despojada dos seus encantos e provavelmente, da sua maior riqueza.

O Esteiro de Canelas, não tem vida. Não comporta uma só embarcação. Serve para acumular esgotos. Neste cenário, uma colectividade local constrói mais um equipamento desportivo para qualquer coisa, de praia, ali ao lado dos dejectos que bóiam em soluções de esterco, liquefeito.

O executivo local que sair das eleições próximas, deve encarar entre outras prioridades já identificadas, a urgente necessidade de devolver o Esteiro à Ria e aos Canelenses. Limpo, de preferência.