Sexta-feira, 30 de Janeiro de 2009

vergonhoso

e humilhante antes de mais para todos nós, para o país e o sistema judicial, a pocilga em que se transformou a justiça. Incapaz de investigar, provar, condenar ou absolver, a designada justiça, faz espectáculos degradantes nas televisões, mostra sem pudor a incompetência e o desleixo em que se encontra. De uma investigação iniciada em 2002, a responsável pelo processo, dizia ontem, não saber se as verbas em causa se referem a escudos ou, euros. Um processo desta natureza, esteve quatro anos na dependência de uma magistrada a fazer serviço no Montijo, uma colega altamente competente, como disse, que infelizmente, não tinha tempo.

A senhora Almeida que ontem invocava segredo de justiça para não responder a algumas questões sobre a carta rogatória, teria poupado o incómodo se desse hoje a entrevista. Para quem tiver dúvidas, pode lê-la [aqui]. Por este andar, é certo que todos vamos ver o vídeo remetido pelos ingleses no You Tube, muito antes da referida senhora o visualizar, para se não deixar influenciar, claro.

Quinta-feira, 29 de Janeiro de 2009

o triste espectáculo

que a procuradora Cândida Almeida acaba de protagonizar, na boa companhia da Dona Judite, atira irremediavelmente a justiça indígena para o atoleiro de que se já falava mas, que ainda verdadeiramente se não conhecia.

o resto, é poeira

Os contornos do Portugal contemporâneo são os de uma república das bananas, e das más. Partido, estado, justiça, economia, política, estão misturados num saco de gatos controlado pelo primeiro-ministro.

É óbvio, e sabe-se desde sempre, que a investigação portuguesa ao caso Freeport, sempre daria em nada. Nesta república de(as) bananas, a investigação depende directamente do primeiro-ministro, o procurador geral da república, é pelo mesmo designado, a procuradoria tem autonomia para decidir o arquivo de qualquer investigação ou processo, segundo os juízes, o poder político tem acesso a processos mesmo quando em segredo de justiça pelo que, nestas circunstancias, de justiça, a indígena, só tem o nome.

Vivemos num estado a saque do poder instituído onde todas as normas, regras, deveres e direitos, estão subvertidos. Já todos percebemos que no processo de licenciamento do Freeport, há decisões mal explicadas. Tal, não faz dos governantes à época, corruptos. Quem não deve, não teme e, se José Sócrates nade deve, tem o dever de exigir às autoridades portuguesas, o total esclarecimento deste caso o qual, só ficará devida e totalmente esclarecido, quando forem identificados e levados a tribunal, os indivíduos que receberam o dinheiro que o Grupo Carlyle diz ter sido usado no pagamento de luvas para licenciamento do empreendimento.

O que é certo, é que não será com o arquivamento do caso que o primeiro-ministro limpará a honra. Bem pelo contrário.

Quarta-feira, 28 de Janeiro de 2009

o país moderno, tecnológico e cheio de sucesso

Um gajo só pode ficar estarrecido. Não tanto pelo conteúdo das afirmações que se seguem mas, por estas terem sido proferidas por alguém que é primeiro-ministro desta espécie de país. Excluindo um ou outro político que ainda mostre alguma seriedade e competência, esta gente apenas pode merecer o mais profundo desprezo.

- Há muitas décadas que leio relatórios da OCDE sobre Educação e eu nunca vi uma avaliação sobre um período da nossa democracia com tantos elogios.

José Sócrates, 26 de Janeiro de 2009

- Eu nunca disse que o relatório é da OCDE.

José Sócrates, 28 de Janeiro de 2009

- Os senhores não suportam o sucesso do país, os senhores estão contra o sucesso do país. Têm apenas ciúmes e inveja.


José Socrates, 28 de Janeiro de 2009

sugere-se mesmo a distribuição de

certificados de bom comportamento a esta rapaziada toda, e os 4 milhões em tribunal por se desencaminharem sozinhos. Dinheiro que se mete em bolsos alheios não pode andar por aí a cometer irresponsabilidades destas.

para se compreender

A nossa imprensa, está pelas ruas da amargura. Jornais e televisões, estão rendidas ao magnífico chefe. O absolutismo democrático reinante, a falta de liquidez e a necessidade de manter os empregos, transformaram jornalistas em animadores, e aprendizes em abrilhantadores.

Há um problema para resolver que é a questão das blogosfera. O jornalismo sério, o jornalismo de investigação, passaram-se de armas e bagagens para a blogosfera. E não vale a pena o tempo e dinheiro que se perde a ouvir falar da neve, nem mesmo o espectáculo encenado nas televisões do diz que disse do Freeport.

É na net que se têm tratado de forma séria e responsável os casos que vão abalando o país. Lembram-se do António Caldeira que desmontou a licenciatura do senhor primeiro-ministro no Do Portugal Profundo? O senhor primeiro-ministro levou-o a tribunal. Perdeu e está hoje – creio - a contas com um pedido de indemnização que o António lhe moveu.

Ainda ontem no delírio da propaganda socialista, o senhor Sócrates apresentou um relatório sobre o êxito das suas políticas na educação básica. A coisa foi apresentada como um relatório independente conotado com a OCDE, no qual são louvadas as decisões e políticas tomadas pela senhora Lurdes, e louva os extraordinários resultados obtidos. Os media, limitaram-se a ampliar o discurso. Mas, no 31 da Armada, o Carlos Nunes Lopes, explica como é que o dito foi elaborado e deixa claro a sua validade. Parece que o papel é duro para WC. Este é o primeiro post, percorrendo o blog para cima, encontram-se outros.

Para perceber o caso Freeport, não vale a pena procurar mais; está tudo no Estrago da Nação. Os jornais vão oferecendo DVD’s e as televisões, folclore. Informação, é mesmo na net.

casos de polícia

O Pedro Almeida Vieira, explica no Estrago da Nação, direitinho e comprovado, os meandros e intervenientes no processo de licenciamento do Freeport. Basta ler dois ou três posts que se percebe o âmago do 31, e se afastam quaisquer dúvidas existencialistas sobre o caso.

Os visados e os cristãos novos socialistas – pela blogosfera vai uma procissão de novos crentes e reconvertidos, certamente no espírito do aforismo “se não podes com eles, junta-te” assentaram a defesa da coisa, na cabala. A velha cabala política, que surge sempre em tempos de eleições e tem por objectivo desmoralizar o senhor primeiro-ministro.

Ora com toda esta poeirada no ar, vem-se ocultando o motivo da “cabala” o móbil da investigação inglesa, já que a portuguesa é de faz de conta. E o que está em causa, é a massa, os milhões mal parados que segundo os ingleses, aterraram em Portugal e se perderam em contas offshore. A estratégia de transformar um caso de polícia numa cabala política, de imediato serve ao consumo interno mas, presume-se que não comova os chatos ingleses.

Segunda-feira, 26 de Janeiro de 2009

esquecemos que temos um ministério da justiça, mas de vez em quando lembram-nos

Retrato de um verdadeiro país de merda, governado por gente de trampa. Segundo a TSF, o ministério da justiça mandou retirar as caixas multibanco dos tribunais, com a patética justificação de “não estarem encastradas em condições de segurança» no interior dos edifícios”.

Por acaso, os tribunais são via pública para as caixas terem de estar encastradas? Os meliantes entram pelos tribunais dentro, porquê? por acaso a justiça não deveria ser a última instituição a ceder ao banditismo? Não deveria ser a primeira a mostrar que o crime combate-se e penaliza-se? Não deveria antes reforçar a segurança dos tribunais? Não se conhece mais nenhuma entidade que tenha mandado retirar o objecto de roubo, nem mesmo os postos de abastecimento, muito mais frequentemente assaltados que os tribunais. Efectivamente, vamos por bom caminho.

alguma coisa cresce em portugal

Ainda recentemente, aqui tinha falado do crescimento da criminalidade. O director da PJ, vem hoje confirmar o facto, com as mesinhas costumeiras.

Aceita-se que o desemprego seja um dos factores que alimentam o crescimento do crime. Não será certamente o mais importante. Na sua génese, estarão factores estruturais pelos quais todos somos responsáveis e, em primeira linha, os amaricados governos, principalmente os socialistas que, reféns de profundos complexos de falta de autoritarismo, associado a uma permanente despenalização criminal e à desautorização de escolas, pais e polícias, criámos as condições ideais para nos transformarmos na república latino-americano que hoje somos, claramente retratada no teor da entrevista. Como tudo o mais, também o nosso jornalismo é de cordel lusíada, ou similar.

Domingo, 25 de Janeiro de 2009

família socialista

Desfeito o tabu – Estarreja também tem os seus tabus – está apresentado o nosso Messias ou, pelo menos sobredotado candidato a presidente do município. A sua e extensa biografia complementada de um notável curriculum na realização de eventos, são preocupantes porquanto o afirmam genuíno produto desta sociedade estarrejense que se constitui em função do acessório, e nega o essencial.

De director de jornal, a organizador de provas desportivas, cantor e compositor, fundador de clubes e grupos de carnaval, tocador de cavaquinho, tamborim, escriva de frases para concursos, apresentador radiofónico, jogador de futebol de salão, entre um mais não acabar de iguais futilidades, temo que o actual presidente, leve a campanha, caso se recandidate, com uma perna às costas e nem sequer se tenha de esforçar minimamente para elaborar um programa que contemple uma gestão pragmática, focada na realidade concelhia, em vez do bodo aos pobres que são as festividades continuadas em polidesportivos, piscinas e parques de merenda.

Não quero e não o vou fazer, entrar no bota abaixo de quem não conheço e antes de ouvir o que terá a propor aos cidadãos de Estarreja. Vou esperar para ver o seu programa que espero, se não resuma a atirar às colectividades, o dinheiro que nos custa a ganhar e que o Estado nos obriga a entregar-lhe.

Não sendo condição sine qua non, passados de gestão, estudo e trabalho, são fundamentais para que quem se dispõe a gerir a aplicação de dinheiros públicos. Estudos em história da arte, por si, não fazem do candidato um especialista em finanças públicas ou, um líder. Mas, também o não impedem.

O facto de ser casado com a líder da concelhia do PS, igualmente não é impeditivo mas, continua esta malfadada política à portuguesa na qual todos são parentes dos outros e se constituem corporativamente numa classe de protegidos e protectores. Poderia ter-nos sido poupado o tabu. Bastaria à líder local, dizer que o candidato à CME, iria ser, o seu marido.

soylent green ou, à beira do fim, como queiram

A RTP 2 acaba de passar o filme Soylent Green, título traduzido para português como, à beira do fim. Uma obra do realizador Richard Fleisher datada de 1973, protagonizada por Charles Heston e classificada de, ficção cientifica. Revi com agrado e sob uma nova óptica, esta obra que diria, de antecipação.

À data da realização, a classificação de ficção, seria certamente pacífica. Passados 35 anos, tudo indica que o enquadramento da referida obra, será mais entre a reportagem e a notícia.

Imagino que poucos terão visto o filme. A RTP 2, não tem grande audiência e a generalidade das pessoas dispensa coisas pesadas. Mas está lá o mundo actual. Está lá a destruição do planeta, o esgotamento dos recursos, a fome, o desemprego, as multidões alienadas, o Estado controlador, o desprezo pela vida humana, os matadouros onde os desesperados se fazem abater; a sua posterior transformação em alimento (o soylent green) e a criação de humanos para abate alimentar, virá a caminho.

Sexta-feira, 23 de Janeiro de 2009

'tá mal

O nosso estimado Jornal de Estarreja, versão online, informa-nos das comemorações dos 25 anos do Grupo Folclórico da Casa do Povo de Avanca, indelevelmente marcadas com a gravação de um CD, dos fantásticos Migueis Guerreio e Silva, duas estrelas de uma merda qualquer que serão os reis do Carnaval infantil, promovido pela nossa brincalhona autarquia - uma vocação inata para a organização de palhaçadas - da estátua a Santo António na rotunda desnivelada de acesso à Murtosa – obra na qual os trolhas tiveram um papel determinante no desenho da dita – do 5º troféu ori-btt de Grândola – que eu não sei o que seja mas, será suficientemente importante para ser referido neste jornal, da apresentação online do candidato do PS e, da possibilidade de três equipas do Concelho, poderem vir a estar na fase final de grupos, imagine-se, de futsal, desporto rei das meninas concelhias, desempregadas.

Por esta mesma ordem, se resumem as questões importantes e inquietantes que estão na ordem do dia. Atendendo à necessidade de vendas da Portucel, aceita-se, ainda que se lamente o abate das árvores que fazem o papel onde se imprime tais irrelevantes minudências.

Entre os opinadores habituais - para os quais se agradeceria alguma moderação e profundidade analítica - fala-se da rede social e de reuniões de tupperware, apenas e somente na perspectiva de mútuo achincalhamento político, como se a confrangedora política local precisasse ainda, de mais baixaria, demagogia, boçalidades, conversa de vizinhas e lutas galináceas. Como se, o que haveria a discutir, não fosse as medidas conducentes à sua erradicação, e sim, a ajuda pública aos pobrezinhos que, pelo andar da carruagem, seremos todos nós, num futuro bem próximo.

Exceptuando as palavras de Joaquim Lagoeiro, ditas em forma escrita, admitindo a irrelevância do Concelho e respectivos actores, a palhada intelectual, o pensamento expresso, os acontecimentos locais, fazem de Estarreja, um Concelho digno de figurar nos anais dos povos bípedes, ligeiramente encefalizados.

Mas o que ‘tá mal, merecedor das mais justas críticas, mesmo de uma suspensão da assinatura, uma justificada revisão dos critérios de atribuição da publicidade legal por parte da autarquia, o que ‘tá mesmo mal, dizia, é que se não noticia o andamento das obras de construção do parque de merendas de Canelas, que deverá estar pronto e inaugurado a tempo de assar os porcos para a campanha eleitoral, uma falha que põe em causa a seriedade do jornalismo deste Concelho e mesmo, do mundo e arredores. A nossa redactora oficial, não tem desculpa, tanto mais que é uma obra emblemática de oito anos de mandato, estrutural para o bem estar sócioeconómico da freguesia, a cereja que só não está em cima do bolo, porque oa mabecos daqui, só tiveram direito à cereja.

PS: um jornal também serve para fazer jornalismo ou, é confusão minha?

ainda que num país com qualquer resquício de dignidade, já tudo estivesse virado,

para os devidos efeitos, aqui se declara que face à justiça possível, todos são inocentes até prova em contrário, e que o meu tio, não está a ser investigado. Louva-se ainda a particular afinidade indígena entre tios e sobrinhos, de que o outro, dito taxista na Suíça, em boa hora já havia demonstrado. É bonito!

Quinta-feira, 22 de Janeiro de 2009

Bioria, again and again

Num Concelho onde se pouco se faz de verdadeiro interesse público, o projecto Bioria, tem servido como instrumento de propaganda, certamente há falta de melhor, e porque cada um, amanha-se com o que tem.

Frequentemente, lá aparecem nos jornais, comunicados em forma de notícias, repetidos, republicados e novamente repetidos. Este é mais um dos ditos. Da segunda fase, a extensão aos campos de Canelas, nada, rien du tout, anything at all, isto apesar dos muitos power points de que agora é que é, percursos, pistas, postos de observação, vias cicláveis e um mundo inteiro de protecção ambiental. O dito percurso de Salreu, continua a não passar de um pequeno e limitado local cuja mais-valia principal, é a de proporcionar caminhos razoáveis aos caçadores que por aqui vão continuando o abate das raras aves que ainda aparecem, para além de cegonhas e algumas poucas garças.

Sem dúvida que a construção do posto de interpretação ambiental é importante. Deveria existir desde o início do projecto. Acontece que na situação actual, o prioritário deveria ser a efectiva protecção da fauna e flora da região. A prática da caça deveria ter sido erradicada desde que o projecto tomou forma. A ria deveria ter sido cuidada de forma a manter as espécies piscícolas, parte integrante da cadeia alimentar das aves, e factor decisivo para a sua sobrevivência. Nada disto foi feito, ou parece interessar.

Imprescindível mesmo, é que se fale do município de Estarreja, mesmo que a troco de nada.

Quarta-feira, 21 de Janeiro de 2009

tapar buracos

Diferentes cidadãos pronunciaram-se atempadamente sobre os trabalhos de repavimentação de que foi recentemente alvo o troço da 109. Passados poucos meses, o referido pavimento apresenta-se em condições miseráveis. Hoje, uma brigada de dois homens, tapa os buracos que inexplicavelmente se abriram, medida que desregula o piso, transformando buracos em lombas.

Não é aceitável que os dinheiros públicos sejam assim displicênciados e nem sequer vou sugerir que o aqui acontecido, tenha sido alguma coisa parecida com o que no passado sucedeu no falecido IEP, no qual, ao que então foi noticiado, os montantes pelos quais as obras eram adjudicadas, já não davam para pagar a todos os intervenientes nos referidos processos.

Mas, alguém, algum organismo, tem de investigar e assacar responsabilidades a quem foi responsável por esta obra. A questão não pode ser resolvida pelo simples tapar de buracos num pavimento reconstruído há 3 ou 4 meses atrás. É que, a quem paga, o dinheiro custa a ganhar.

Terça-feira, 20 de Janeiro de 2009

hoje é o primeiro dia

E já deito Obama pelos cabelos. As televisões dedicaram o dia à tomada de posse do distinto cavalheiro, messias de tempos pagãos, em directos e diferidos repetidos até à náusea, alardeando o provincianismo que nos caracteriza e o péssimo jornalismo que por aqui se faz.

A tão ansiada tomada de posse, as bolsas reagiram mal. Ao que dizem, os banqueiros precisam de mais sangue, suor e lágrimas, traduzidos em dinheiros públicos atirados à insaciável matilha de vigaristas que tomou conta das riquezas do mundo.

medo

No país encantado do senhor primeiro-ministro José Sócrates, não se fala do medo que se instalou entre os cidadãos. Medo de sair à rua, medo de estar em casa, medo do silêncio, do pânico instalado pela violência com que o designado pequeno crime, passou a actuar. Uma onda de assaltos violentos ao cidadão em trânsito, nas escadas e elevadores dos prédios, nos estabelecimentos comerciais de proximidade, nas habitações e anexos e, mesmo em plena via, à luz do dia e à vista de todos.

Uma vaga criminosa varre o país. Homens e mulheres vêem-se despojados dos valores que transportam consigo, roubados ao sair ou a entrar nas suas casas. As garagens dos prédios são continuadamente assaltadas, os elevadores passaram a ser um local perigoso. Delinquentes entram nos pequenos estabelecimentos, fecham as portas e levam tudo o que possam carregar, impunemente, sem que, em muitos casos, estes crimes sejam comunicados às autoridades, descrente os lesados de polícias e tribunais.

A dificuldade que um cidadão de bem tem para adquirir e legalizar uma arma de defesa pessoal, apenas facilita e promove o crescimento do crime, fazendo prosperar o negócio clandestino de armas. Aos criminosos, nunca faltarão armas ilegais. A inépcia das autoridades e a despenalização do crime, farão o resto.

Segunda-feira, 19 de Janeiro de 2009

viver habitualmente

Ainda há pouco, tínhamos uma economia consolidada, preparada para resistir à crise que de qualquer forma não nos atingiria. Em poucos dias, a crise é a responsável por todas as desgraças. Mas o país das maravilhas Socráticas resiste e não fossem as maldosas previsões vindas do estrangeiro destruírem o optimismo governamental, nem daríamos pela dita.

O primeiro-ministro garante a ilusão que o povo quer viver. Sempre é mais fácil do que ter de encarar a vida real. Sempre é mais fácil do que estudar ou trabalhar, de ter de ser melhor que os outros, consumir de acordo com os rendimentos próprios, esforçar-se por si e pelos seus.

É de péssimo gosto por parte destas entidades, preverem em pelo menos o dobro, a calamidade já admitida, ainda que este dobro, possa não passar de um eufemismo do que verdadeiramente virá. O país continuará miserável muito depois do final desta crise, pela simples razão de que, para além de afinal não estar preparado para enfrentar a dita, em boa verdade, não está preparado para nada.

Por cá, a solução é costumeira, com a vantagem de se poder ver a capelinha de Fátima sem sair de casa, e a esperança de podermos organizar mais um grande evento desportivo, daqui a dez anos, caso ainda existamos.

humorismo

Segundo os cómicos de serviço, o casamento entre gays, será uma grande vitória da sociedade. Sobre quem?

proxenetismo

A candidatura à organização do mundial de futebol em 2018, é mais um crime económico que gente de colarinho branco planeia. Em 2018, os contribuintes ainda não terão liquidado a divida contraída com a organização do euro 2004, que a ser quitada, só o será em 2024. O argumento de que o país não fará grandes investimentos é falacioso, quando não criminoso. Os estádios construídos terão então 14 anos e na generalidade, não terão condições de albergar tal evento. Basta ver o de Aveiro. Resta saber se estes senhores são simplesmente irresponsáveis, ignorantes ou criminosos. Ou tudo isso em simultâneo.

descida de impostos

A Associação dos Industriais da Construção de Edifícios (AICE) quer mudanças no sector da construção, depois de ter encomendado um estudo que revela que 40% do preço das casas se deve aos impostos e à burocracia: 15% resultam da morosidade e os restantes 25% à carga fiscal.

reconhecimento

Paulatinamente, o desemprego vai mandando para casa as gentes desta aldeia. Gente sem idade ou competências para voltarem ao activo. São portanto bem-vindos os subsídios aos equipamentos de Lycra, as piscinas, os polidesportivos e os parques de merenda. Sempre os entretêm pelos anos que lhes restarem.

contos de encantar

Interesses públicos e privados, estado e partido, fundiram-se nos delírios que o senhor primeiro-ministro, através da moção a apresentar no congresso albanês que se avizinha, e uma vez mais, garantiu na providência do Estado a tudo e todos, sejam eles pobres ou ricos, privados ou públicos, singulares ou colectivos, excluídos e incluídos. Bastará votar na sua reeleição que o apoio do seu Estado, valerá a todos.

Possivelmente do seu Estado, aquele que existirá na sua inesgotável fantasia no qual os Magalhães, accionados pelas suas excelentes energias renováveis, produzem riquezas sem fim excedentárias ao progresso e bem-estar que abençoa todo o povo do seu reino encantado, porque, no nosso Estado, correndo para falência e a pagar juros obscenos à agiotagem internacional, esse, já nem a si próprio se vale.

Terça-feira, 13 de Janeiro de 2009

na casa da micas

Querem melhor retrato do país que temos? O crime presume-se ser tratado por forças da ordem e tribunais, e os criminosos, interrogados por polícias e juízes. A nossa assembleia decidiu substituir-se a estas entidades e chamou a depor um presumível ladrão. O homem, talvez mais ajuizado do que os que o convocaram, fechou-se em copas e nada disse, deixando os deputados na situação da dispensabilidade que se lhes reconhece.

Não é fácil compreender as razões que terão levado deputados da nação a quererem substituir-se aos tribunais mas, o que fica no ar é o tal manto diáfano que pretende ocultar a crueza da realidade em que atolámos o país.

A assembleia da república há muito que deixou de ser lugar recomendável e bem frequentada. Qual tentativa de reabilitação é inútil porque a instituição apenas representa e age em função dos que a compõem.

Segunda-feira, 12 de Janeiro de 2009

a nova fé

Mais duas notáveis medidas conducentes às trevas e ao relançamento económico dos meios difusores da nova fé.

Este notável governo, promete comparticipar o custo dos descodificadores de televisão digital terrestre, às famílias mais carenciadas, ao mesmo tempo que transforma o nosso parco património histórico, em hotéis de charme.

Acho bem, a aquisição de um descodificador de televisão, é o pão dos alienados, e alienados, não precisam de história. Mas é evidente que para além de mal frequentado, este sítio está a tornar-se perigoso.

obscurantismo

Já aqui disse que o programa em curso para embrutecimento dos portugueses, transversal a diferentes governos e partidos, será o único bem sucedido, e também o único nunca apregoado como capital de esperança para a nação. O actual governo, igualmente bem sucedido nesta área do desconhecimento, terá como prioridade, tornar-nos irremediavelmente broncos.

Dos tempos de má memória da paixão de Guterres, aos de Sócrates e dos investimentos na qualificação dos portugueses, o fio condutor é o da analfabetização motora. Pelas reformas de um ensino que a cada uma destas menos ensina, pelo facilitismo contínua e progressivamente introduzido, pela baixa da exigência nos resultados da aprendizagem, pela introdução de infinitos cursos que ensinam nada e para nada servem, a educação tem servido de bandeira à conquista do poder. Como se percebe, estas paixões nunca passaram de retórica política desconexa e vazia que serviu e serve à ocultação do propósito inconfessável de manter todo um povo na abjecta condição de alienado, inculto, estúpido, incapaz de pensar e compreender a manipulação que o mantém escravo de uma classe que prospera, não por mérito próprio mas, pelo recurso ao parasitismo que sorve a riqueza que outros criam.

Os modelos e programas escolares são bem elucidativos. É verdade que o acesso à escola é hoje universal mas não é menos verdade que as escolas produzem hoje licenciados que mal sabem escrever o próprio nome. O resultado está aí, materializado em tarefeiros licenciados, empregados precários de call centers, a trabalharem à tarefa, e pagos à comissão, auferindo rendimentos mensais entre os 400 e 500 €.

O canal de televisão do estado, a RTP, dedicou os primeiros 30 minutos do jornal nacional de hoje, a um futebolista. Prosseguiu com a vaga de frio, ambos assuntos irrelevantes e inócuos. Terminadas as notícias, continuou a programação - entenda-se a propagação do obscurantismo - com uma dita reportagem sobre o mesmo futebolista. Será uma honra para o país – e proveito para o próprio - ter um indígena considerado melhor futebolista do ano. Merecerá ser referido como notícia, proporcionalmente à relevância que terá entre todos os outros assuntos que nos interessam. Nunca, mais de uma hora de antena, em horário nobre, e eclipsando tudo o que realmente, interessa às nossas vidas.

Paga-se mensalmente uma taxa para manter este canal de televisão que se diz de serviço público, e cujo serviço é obviamente, alienar os portugueses dos problemas reais que nos afectam colectiva, e individualmente. Os servidores que aceitam fazer este papel, dizendo-se jornalistas, não são melhores do que os zelotas que lhes ordenam a vacuidade e a indigência intelectual, sujeitando-se à ignobilidade de abdicarem do seu papel social e profissional, para bajularem a mão ou o sapato, de quem lhes atira a côdea do jantar.

Enquanto povo, somos ainda o que sempre fomos. Imbecis, ladrões e aldrabões que transformaram meros actos de pilhagem e saque de bens alheios, na sua maior e única glória, obrigados pela ancestral miséria irmã, a fazermo-nos ao mar para fugir à fome. Chamámos a tal tragédia, uma epopeia de glórias e descobrimentos de novos mundos. Não mudámos e não mudaremos. Somos iguais a nós próprios. Teria sido melhor que nos tivéssemos cultivado, e trabalhado.

ler os outros

Mãos ao ar!

A crise, a bendita crise económica e financeira para o PS e para o senhor presidente do Conselho, tem pés para andar. Finalmente, veio a ordem de São Bento para se falar em recessão.

Generoso, condescendente com os indígenas, José Sócrates antecipou o relatório de Inverno do Banco de Portugal e decretou que o sítio estava em recessão. Aguarda-se para os próximos dias a autorização oficial para se poder falar também em depressão. Até lá é preciso ter cuidado com as palavras para não enfurecer o chefe do Governo e os seus muitos acólitos dentro e fora do Governo.

Sim, porque não é impunemente que se anda por aí a estragar os planos da maioria e as suas extraordinárias estratégias em ano farto de eleições e outras misérias. Ainda há dias o senhor procurador-geral da República se mostrou preocupado com o aumento da criminalidade violenta em 2009, fruto do desemprego galopante, de rupturas sociais graves e de uma crise profunda, que vai muito para além da actual recessão económica que atinge praticamente todo o Mundo. Foi o Diabo. Insensato e alarmista foi o mínimo que lhe chamaram as muitas vozes do dono e as que aspiram a sê-lo a curto prazo neste sítio pobre, deprimido, manhoso, hipócrita e obviamente cada vez mais mal frequentado. Mas a bendita crise dá para tudo e mais algumas coisa. Até dá para o senhor presidente do Conselho atirar uma enorme pedrada no combate à corrupção ao autorizar adjudicações directas de obras até cinco milhões de euros.

Vai ser o despautério total, com notas a voar do Estado para os bolsos das muitas clientelas alimentadas a pão-de-ló pelos detentores do poder nestes trinta e quatro anos de democracia. E como a crise dá para tudo, até dá para cálculos eleitorais. Enquanto os indígenas andam por aí deprimidos e cada vez mais pobres, os senhores e senhoras que mandam no sítio, bem acompanhados pelos analistas e comentadores de coisa nenhuma, discutem com grande fervor patriótico as datas das eleições.

Há teses para tudo e mais alguma coisa. Uns querem juntar as europeias às legislativas, outros as autárquicas às legislativas, uns tantos desejam tudo bem separadinho e ainda há os que teorizam sobre a vantagem do três em um. Evidentemente que 2009 vai ser um ano de desbunda democrática, com muito dinheiro a saltar de um lado para o outro. E como o futuro pertence sabe-se lá a quem, o certo e sabido é que vamos de certeza ficar mais pobres e desgraçados.

António Ribeiro Ferreira, jornalista

Sábado, 10 de Janeiro de 2009

'tá frio

Nada de novo num país de servilismos e dependências. Fossem os visados gente comum, e teríamos as televisões em directo à porta de suas casas. Felizmente que o frio dá matéria para noticiários, reportagens, comentários, e entreter alguns milhões de idiotas que por aqui gastam a existência.

Sexta-feira, 9 de Janeiro de 2009

preparos

Obviamente! E ainda agora estamos em vésperas da festa.

Quinta-feira, 8 de Janeiro de 2009

da africanização em curso

A cara prazenteira com que o senhor Ruas comentava a lei que permite ao governo e câmaras municipais a contratação de obras até 5 M de € sem concurso público, provocou-me um amargo de boca.

O senhor primeiro-ministro é capaz de ter razão quanto ao aumento do rendimento de algumas famílias. O que também já é certo é a pulverização do recorde de inaugurações em ano de eleições.

má moeda

Nos tempos que correm, um gajo não ter ponta de vergonha no focinho, é uma grande mais-valia. O cavalheiro que preside à Câmara de Lisboa, lembrou hoje que o prodigioso governo formado pelo seu partido, já isentou dois milhões de famílias de tributação em sede de IRS.

Acreditava eu que qualquer contramestre teria vergonha de governar gente cujos rendimentos de tão parcos, nem sequer são tributáveis. Engano meu. Isentar a miséria da carga fiscal é afinal uma medida de gestão deste governo socialista.

Quarta-feira, 7 de Janeiro de 2009

coisas que realmente interessam

na senda da informação que interessa ao país, regista-se que a rainha do carnaval de Estarreja, será a senhora Sónia Araújo que dará a habitual contribuição carnavalesca à cultura concelhia. De louvar que e apesar de uma avançada gravidez, a dita senhora não quis deixar de contribuir à recuperação económica do país, sendo pois com enorme esforço pessoal que aqui virá arrecadar uns largos milhares de euros em troca de duas voltas à praça Barbosa, a acenar a basbaques.

um lugar na história

A convicção com que o senhor primeiro-ministro nos fala do seu privado mundo de fantasia, chega a ser enternecedora. A sua suposta determinação em aumentar o rendimento disponível das famílias, de salvar todos os empregos e todas as empresas, de mandar construir estradas, pontes, linhas férreas, barragens, aeroportos e tudo o mais que possa contribuir à cimentalização do país, candidata-o a um lugar na história. O do homem que arruinou o país.

Se fosse crente, rezaria para que o mundo não nos desse mais fiado, em nome de todos aqueles que vão ter de pagar as fantasias deste cavalheiro a quem por boa-fé ou ignorância, este povo deu poder absoluto.

Até quando, poderá o país transferir dinheiro para os empresários, para que estes possam manter trabalhadores que já não trabalham? A viabilidade das empresas não se faz pela venda dos bens que produzem? De que vale manter um produtor de sapatos num mercado que os não pode comprar? De que vale injectar dinheiro num fabricante de automóveis cujo preço não é acessível aos consumidores?

A infantilização colectiva em que vivemos, o absolutismo, e a competência adquirida nos filmes da Disney, são uma conjunção explosiva que quando rebentar, espalhará merda pelos séculos vindouros.

africanização em curso

Abre-se um qualquer jornal e logo se depara com um missal de roubos, apropriações, vigarices e trafulhices, perpetradas por gente de colarinho branco e sapatinho inglês. Devemos reconhecer que dos tempos do Zé do Telhado aos de hoje, mudaram os protagonistas e os métodos, bem como os costumes e a noção de honra, esta, creio que definitivamente erradicada nestes tempos impudicos. De gestores de topo a varredores, parece que só não rouba quem não tem oportunidade e por este andar, mais tarde ou cedo, vai ser necessário enclausurar os que persistem em manter a honradez contrária ao liberalismo desta sociedade de self made men.

A velha GNR a cavalo e um código penal competente são meios sem os quais a impunidade instituída transformará Portugal num qualquer Zimbabwe.

Domingo, 4 de Janeiro de 2009

aberrações

Das coisas que interessam a um país sem instrução nem vergonha, e não consegue emergir do lixo em que se atolou.

saque

Cada dia que passa, se torna mais difícil distinguir entre interesses públicos e privados. Diariamente se denunciam novas situações de dolo público sem que nada aconteça. Os negócios e o proveito próprio são a única moral vigente. A justiça não condena ninguém e a irresponsabilidade tomou conta deste país, claramente em roda livre.

Sábado, 3 de Janeiro de 2009

em terra de cegos..,

É claro que o novo regime de excepção que permite contratualizar obras até 5.150.000 € por ajuste directo e sem necessidade de concurso público, e a ascensão do senhor Coelho a CEO da Mota-Engil, são coincidências possíveis num pequeno país periférico, pobre e atrasado, onde se possa confundir interesses públicos com os privados. Não é o caso português.

reformados

Louve-se o contributo destes dois inválidos, reformados pela CGD que, perante a crise em que mergulhou o país, se não têm poupado a esforços para contribuírem à superação deste difícil momento que atravessamos. O mesmo louvor à própria entidade reformadora que nada fez que pudesse inviabilizar tão louvável iniciativa de aforro de capitais públicos.