Sexta-feira, 27 de Fevereiro de 2009

photographo d'aldeia

namoro

Mais poluição e doenças, para Canelas, não!

Já aqui falei da intenção da Simria de construir uma fossa a céu aberto – bacia de retenção – com uma área semelhante a um campo de futebol, nesta freguesia de Canelas, junto ao Esteiro, a poucos metros de habitações legalmente construídas, o que a concretizar-se, eliminaria qualquer qualidade ambiental, e de vida, quer aos habitantes de Canelas, como aos de Fermelã.

Ao que tem sido dito, a empresa pretende alargar o negócio e para isso, propõe-se a canalizar para Canelas/Fermelã, os detritos fecais e outros, de cerca de uma dúzia de freguesias. Com total falta de transparência, a dita empresa convocou os proprietários dos terrenos para lhes propor a sua compra, ameaçando de imediato com a expropriação dos mesmos, caso os legítimos donos não queiram vender.

A Junta de Freguesia de Canelas, não foi informada e desconhecia totalmente a questão. A escolha do local, é óbvia. Duas pequenas aldeias, sem poder de reivindicativo, cujos executivos locais são à medida da beatitude reinante.

Pedi ao senhor presidente da assembleia de freguesia, a convocatória de uma reunião extraordinária, não para discutir o assunto – entendo que o mesmo não tem discussão – mas sim para a constituição de um grupo de trabalho representante da freguesia, cujo objectivo único, é o de desenvolver todas as acções que se revelem necessárias ao impedimento da dita construção.

Tal reunião deverá realizar-se no prazo de duas semanas. Para além da força popular, necessitamos de apoio jurídico, das organizações ambientalistas e de todos os que possam contribuir com o seu saber, à contestação da pretensão da Simria.

Canelas e Fermelã, já são por demais sacrificadas, desprezadas e desconsideradas. Já temos maus cheiros, poluição e doenças, mais que suficientes.

Quarta-feira, 25 de Fevereiro de 2009

por aqui, não temos carnaval.

reverendíssimas altezas

Outras fotos [Aqui]. Recomenda-se o slideshow.

O velho e genuíno Entrudo português, serve-nos à medida. E de ano para ano, vai-se refinando; alegre, trapalhão, independente, por conta e risco de participantes e espectadores, desorganizado e desassociado, quem quer participar, simplesmente aparece.

Ainda assim, a crise esteve na ordem do dia, com ciganas a venderem trapos (de marca, claro) e a fugirem do garante da higiene nacional que dá pela sigla de asae e, claro, as urgências médicas de Canelas. Agora que o barraco que serve de posto médico – sub-extensão de saúde, eduquêsmente falando – fechou para desparatização e caiadela, e a senhora licenciada em medicina não aceitou fazer o seu trabalho - que lhe continuamos a pagar - nas instalações da junta de freguesia – bastante melhores que as do dito barraco – pelo que a população não tem outra solução que ir de táxi a Estarreja, buscar as receititas dos comprimidos para a arteroesclorose.

Glosaram-se os ditos casamentos entre same sexers, que o grande timoneiro da crise entende prioritários e, a intenção da simria – essa sinistralidade do negócio dos dejectos fecais - que tomando-nos por gente da idade da pedra, nos quer construir entre habitações, uma fossa a céu aberto, com a área de um campo de futebol.

Entre gigantones e fanfarra, a coisa acabou como habitualmente, no Campo da Cruz, entre bons comes e saudáveis bebes.

E este, senhor presidente, não é o maior evento da sua gente de Canelas – e arredores, diga-se. É apenas uma brincadeira.

Segunda-feira, 23 de Fevereiro de 2009

o maior evento concelhio

Estarreja, passou na televisão, num daqueles programas de entretenimento. Três horas do habitual vazio que caracteriza o país. Do tema, o carnaval, pouco se poderia esperar para além das imbecilidades próprias do evento. Ainda assim, a imagem dada de Estarreja, poderia ter sido digna. E não o foi.

O Concelho tem efectivamente pouco a mostrar, pouco de que nos possamos orgulhar mas, não é apenas a miséria cultural, económica e social que passou na Praça Francisco Barbosa. O Concelho tem instituições seculares de que se pode orgulhar. Grupos musicais que não envergonham, muito pelo contrário, cotam-se entre o que de melhor poderá existir no país. Uma gastronomia rica e peculiar.

Não sei se o modelo do programa é efectivamente aquele. Se assim for, merece distinção entre os meios de imbecilização que asseguram a perenidade do cortejo. Cantigas brejeiras em sol e dó, batuques vários, uma mostra de uma caldeirada de enguias, artesanato em miniatura e conversa boçal.

É o maior evento de Estarreja, disse o senhor presidente da autarquia. E eu tive vergonha.

o corso

Parece que atravessamos a quadra carnavalesca. É difícil distinguir a especificidade da época. O corso desfila a tempo inteiro perante o aplauso de um povo patético. Os animadores têm memória selectiva e não se dão por achados, a propaganda convence os incautos, a justiça inocenta os eleitos, a corrupção multa-se a valores próprios da época, os usurários espremem os forros aos bolsos alheios, o presidente desta associação carnavalesca frequenta aulas de assobio e só em Janeiro, mais setenta mil inscreveram-se no desemprego. Tudo normal.

Domingo, 15 de Fevereiro de 2009

investimento em Canelas

Esta minha aldeia de Canelas, no Concelho de Estarreja, convive bem com merda. Em tempos, recentes, uma empresa de Setúbal, para aqui vinha descarregar a céu aberto, toneladas da dita trazida na sua pura frescura de umas Etares de riba Porto. Foi o cabo dos trabalhos para parar a coisa.

Seguidamente, uma presumível descarga da Simria no esteiro, envenenou as águas e matou toda a fauna existente. A empresa sempre negou o facto, a investigação parece que conduziu às conclusões habituais, e os técnicos da dita empresa argumentam que é necessário tomar medidas para evitar casos como os que aconteceram no passado.

Ora as ditas medidas, não são mais do que a construção de uma fossa a céu aberto, eufemísticamente designada por bacia de retenção e, a situar entre o esteiro, em fase de requalificação, e um parque de merendas que a câmara de Estarreja, na sua inesgotável vereação folclórica, não se cansa de distribuir pelas freguesias do Concelho, e está igualmente em fase de construção. Um local apropriado, imagina-se.

Efectivamente, é este o país que temos. Já dizia D. Carlos I que este sítio, era um país de bananas governado por meia dúzia de sacanas. Não mudou nada. Os senhores da Simria, poderiam construir a tal bacia de retenção, em betão e subterrânea, presumo. Mas a coisa ficaria cara e merda por merda, merda p’ró povo de Canelas que já está habituado.

Isto meus amigos, está pela hora da morte e tal como os delinquentes não deixam de o ser por muitas piçadas que levem dos juízes, há coisas que já não se resolvem com bons modos. Principalmente quando uns cómicos a quem pagamos para trabalharem, entendem que somos uns asnos que nem sequer merecem um melhor argumento.

novos ricos

Miseravelmente, vamos descendo a escadaria da loja dos horrores, tocados pelo ferrão da vara dos pastores. O estado de miserabilismo a que chegamos, a demagogia mais primária que leva esta corja de analfabetos às urnas, elegerem sucessivas hordas de salteadores, é insuportável.

O senhor primeiro-ministro entende que um casal que trabalha, e aufere 2.500 euros, dos quais entrega de imediato cerca de metade ao Estado, é gente rica e por isso, deve pagar mais para que os mais desfavorecidos, na sua língua de pau, paguem menos.

Este governo socialista, eliminou a classe média, destruindo o seu poder de compra e, com isso, lançando milhares de pessoas no desemprego. O senhor primeiro-ministro, entende que um português que aufira rendimentos ao nível de um salário mínimo luxemburguês, é um abastado, que deve entregar ao Estado, o que ganha honestamente.

Os filhos da puta que roubaram tudo o que lhes passou pela frente, provocando a actual crise, que não têm domicílio fiscal em Portugal e não se lembram de terem embolsado milhões de contos sem pagarem um tostão de impostos, são então os pobres.

E o senhor presidente desta república de merda, mantém-se entretido em actividades para a terceira idade, e a assobiar para o lado.

Sábado, 14 de Fevereiro de 2009

casos de sucesso

Francamente, tiro o chapéu a esta rapaziada da política. Os ordenaditos são fraquitos, mas a intuição, as capacidades de poupança e gestão, o higiénico princípio de só aceitarem dinheiro fêmea e, sem passado, fazem o resto. Depois, é só esperar que o bendito se multiplique, em 34 contas bancárias, conhecidas.

Eu, se fosse bracarense, estaria aqui a elogiar o Mesquita, porque isto de ter um presidente rico, é um atestado à sua honestidade. Quem é rico, não se deixa corromper. Bem hajas, ó Mesquita!

Outra chapelada bem merecida, vai para as nossas autoridades – o país ainda tem autoridades, não é só a fazer de conta, ou é? – que levaram oito anos de investigações, pagos pelos do costume, entenda-se, para concluírem que, o dito se multiplicou naturalmente, e a família é um exemplo do sucesso construído no esforço do trabalho. Os idiotas que trabalham nas obras durante o dia e à noite ainda vão fazer uns biscates para sobreviverem, deviam pôr os olhos nestes exemplos.

O povo em geral, merece também uma chapelada. Manter esta pocilga a funcionar, não é fácil. Só mesmo um povo de cornudos imbecilizados consegue uma proeza destas.

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Roubar é feio

Reza a lenda que Robin Hood roubava aos ricos para dar aos pobres. É verdade que o nosso suposto “Estado Robin Hood” também rouba. No entanto, não dá aos pobres. Rouba para alimentar uma enorme máquina ineficiente, cheia de vícios e privilégios insustentáveis, que vive, em larga medida, à custa do produto do roubo. No fundo, depois da apropriação pela máquina pública, pouco mais sobra do que umas migalhas para os pobres, para fingir que temos um Estado social.

Peço desculpa por utilizar o verbo “roubar”, mas parece-me que quando o Estado exige que alguns dos seus cidadãos entreguem quase metade do rendimento lícito do seu trabalho a um monstro ingovernável, sem contrapartidas à altura (leia-se, pelo menos, Educação, Saúde e Justiça de qualidade) e ainda se atreve a dizer que é pouco, é difícil encontrar outro verbo para caracterizar a situação.

Não tenhamos dúvidas: um Estado só pode ser verdadeiramente social se centrar o seu objecto precisamente nesta componente e não nas mais variadas que absorvem o produto da receita fiscal. Ou seja, um Estado liberal mais facilmente é, realmente, social, do que o suposto Estado social em que nos querem convencer que vivemos.

Talvez assim, o Estado possa deixar de roubar para, com critério, passar, de facto, a ajudar quem necessita da sua solidariedade.

Francisco Proença de Carvalho, no 31 da Armada

Quarta-feira, 11 de Fevereiro de 2009

Será que o Gen. Eanes, também faz parte da cabala

O General Ramalho Eanes, serviu e bem, o país. Lutou e consolidou o regime democrático. Foi Presidente da República. Recentemente recusou receber milhares de contos de retroactivos a que por lei tinha direito. Em suma, um português como não haverá muitos mais.

O General falou hoje do país. E falou do medo instituído, pelo regime. O medo do que o futuro nos reserva, de perder o emprego, de não poder honrar compromissos assumidos, de não progredir na carreira, de desagradar ao partido, de não arranjar um trabalho, o medo dos poderes políticos. Tem toda a razão. Portugal é um filme de terror.

O governo aglutinou-se no mal. No que poderá haver de pior. Os poderes confundiram-se entre “o partido” o governo, os tribunais, as polícias, e toda comandita que vive no aconchego dos dinheiros extorquidos aos pobres.

O país pede empréstimos ao estrangeiro a juros elevados para enterrar em bancos falidos e atirar para cima de toda a espécie de problemas, enquanto centenas de novos desempregados engrossam as fileiras da miséria. Os papagaios que tomaram conta do poder, desviam os assuntos sérios que são incapazes de tratarem, com telenovelas sobre poderes ocultos.

Segunda-feira, 9 de Fevereiro de 2009

Domingo, 8 de Fevereiro de 2009

bandeiradas


Eu que sou povo, distanciado o suficiente das maquinações partidárias mas comungando dos valores essenciais da esquerda, devo dizer ao senhor primeiro-ministro, que me estou cagando para os casamentos entre homossexuais e, que sou, total e inequivocamente, contra qualquer regionalização. O país é suficientemente pequeno e pobre para, por si, não ser mais do que uma região, atrasada e periférica.

Já agora e de passagem, lhe digo que um país, um povo com uma vida dura e pobre, não se governa a partir de tramas Hollywoodescas, ainda que possa compreender a questão em concreto. Esta coisa a que o senhor preside, não é mais uma ficção. É real. Tem gente, problemas estruturais, pobreza, atraso económico e social, carências gritantes que e apesar das fartas esmolas que a EU tem providenciado, continua o mais pobre, atrasado e inculto do espaço europeu. Mas, provavelmente, é por tudo isso que chegou a primeiro-ministro e ainda por aí se mantém, apesar de tudo.

Sexta-feira, 6 de Fevereiro de 2009

ainda há homens

Isto é cidadania. Patriotismo, se quiserem. Independentemente do que se vier a apurar, ainda há cidadãos não bovinizados. Seria bom que se desmascarasse todos os Pinocchios deste triste país.

Quinta-feira, 5 de Fevereiro de 2009

lixo

O senhor – e espero que mereça o epíteto – primeiro-ministro, em tempos graves e profundamente conturbados, a braços com uma crise económica que ameaça desmoronar o país, enredado numa teia de acusações que cabalmente, ainda não desmentiu, está preocupado com o casamento das minorias assexuadas e, pasme-se, depois de os portuguesas já terem dito que não à regionalização, volta ao assunto como uma prioridade para o seu próximo mandato que se deseja lá para as serranias da Covilhã.

O roubo perpetrado aos portugueses com a nacionalização do lixo chamado BPN, não o preocupa, assim como não está nas suas preocupações explicar a que propósito foi enterrar num banco privado uma fortuna que não existe para a saúde, por exemplo. Também parece não o preocupar os novos pobres, os novos desempregados, o sucessivo encerramento de empresas ou a sua deslocalização para outras paragens.

Obras, cimento e conversa manhosa, é tudo o que nos tem a dizer. Deixámos que o país se transformasse numa enorme lixeira a céu aberto. Não é de estranhar portanto que sejamos dirigidos por lixo político.

Terça-feira, 3 de Fevereiro de 2009

última bateira erveira de Canelas

A última bateira erveira de Canelas


Esta embarcação lagunar de fundo raso, específica das aldeias de Canelas e Salreu – Concelho de Estarreja e distrito de Aveiro – inspirada no desenho dos barcos moliceiros mas de dimensões inferiores, foi importantíssima ao modo de vida das gentes locais. Utilizada para transportar gado às pastagens lagunares, cereais, moliços e pessoas. Locomovida pelas forças do vento, dos braços empurradas através de varas ou ainda, puxadas à corda a partir das margens dos esteiros.

Completamente negra devido ao piche que a revestia, apresentava 14 cavernas, não contando os golfiões, bem salientes à proa e à ré, tinha um banco central e estava preparada para a aplicação de mastro.

As bateiras erveiras de Canelas, com registo de ervagens, eram também conhecidas por bateiras moliceiras de Canelas ou Salreu. A última destas bateiras – na foto - foi comprada pelos Amigos do Museu Marítimo de Ílhavo, onde se encontra exposta, tendo sido construída por Arnaldo Pires em 1964 nesta aldeia de Canelas. Era pertença de Ti Manel da Fonte e foi a última destas embarcações a transportar Canelenses à festa a S. Paio, na Torreira.

senhora Felgueiras

A Procuradoria-geral da República, considerou ilegais os pagamentos aos advogados que defendem a senhora Felgueiras nos processos de que é objecto, pagamentos esses, feitos pelos cofres autárquicos ou seja, com dinheiros públicos. São até ao momento, 500.000 €, 100.000 contos no velho escudo que os cidadãos, depois de lesados pelos crimes ou ilegalidades alegadamente praticadas pela dita senhora, ainda têm de desembolsar para que seja paga a conta da sua defesa. Nem imagino as resmas de papel que o advogado já gastou mas, como é sabido, o papel pago com dinheiro público é sempre tão caro quanto o possa ser ou, quanto os parvos dos contribuintes deixem que seja.

Provavelmente ao cavalheiro defensor, nunca lhe tinha saído o euro milhões mas, há horas felizes. À arguida, na sua pose de estrela acima do comum dos mortais, e até que se prove inocência, seria bom que lhe fosse exigido o dinheiro dos contribuintes que usou para pagar aos advogados. Poderia ser que lhe tirasse aquele sorriso de cu de galinha com que ofende a moral e os princípios de quem ganha a vida a trabalhar e não tem processos em tribunal, por alegadas falcatruas.