Terça-feira, 30 de Março de 2010

quebra ossos, perdão, nozes

Entenda-se o novo grande desígnio nacional municipal - a organização de matinés dançantes para maiores de 65 anos - como mais uma louvável resposta do Estado à falta de iniciativa privada, depois de Bombeiros, colectividades de danças de salão, clubes de bairro, organizações de caridade, paróquias e outros enguiços, terem desleixado a organização destes saudáveis convívios em que os idosos revivem a sua juventude em matreiros roçar de próteses que os fazem esquecer a má sorte de terem nascido em Portugal.

Simultaneamente, motiva-se os recursos humanos que abundam no Estado e particularmente nas autarquias, quase sempre o maior empregador de cada região, que assim, em vez de roçarem o cú nas esquinas, vão roçá-lo nos salões paroquiais e quejandos, evitando-se o enorme despesismo de pôr o pessoal a limpar as valetas, pelo menos, enquanto o estrangeiro não nos fechar a torneira dos empréstimos.

Deveremos mesmo estar eternamente agradecidos ao autor desta patriótica ideia, cuja contribuição à felicidade não será menor que as ideias do Lopes, exigindo-se por isso ao senhor Silva, a consagração deste herói nacional, pela atribuição de uma comenda no próximo 10 de Junho, pois que como sabido, é com ideias e homens destes que algum dia, faremos desta pocilga em que vivemos, um país.

E que não falte ambição a organizadores e dançarinos. Porque não, um grande concurso nacional entre autarquias, de danças de salão? A RTP, sustentada pelos mesmos, tem o dever de mostrar ao país a graciosidade de um entrechat quatre aos setenta anos, porque a dança televisionada não deve ser apenas para desocupados ditos, famosos.