Segunda-feira, 28 de Junho de 2010

BioRia

A propósito desta litania, deve acrescentar-se que a área do projecto BioRia, ainda fica  mais bonita e animada em época de caça, durante a qual e graças ao corajoso investimento autárquico no desporto amador, se batem recordes em todas as modalidades de fuga ao chumbo. Um verdadeiro achado turístico, e uma real protecção das aves, graças à qual e segundo a página oficial da bendita autarquia, até foi possível a um sortudo qualquer, fotografar uma garça vermelha.

A área em questão, periférica à Ria e sem a paisagem da Murtosa, tem alguma potencialidade no dito turismo da natureza, faltando-lhe o enquadramento legal que proíba a caça, infra-estruturas hoteleiras e, o mais importante, entrar nos roteiros turísticos internacionais.

Quem ler o suplemento Fugas, do jornal Público, de 12 de Junho, numa edição especial intitulada "Dez anos à procura do melhor do mundo", e por, tal aqui vier, concluirá que se enganou no destino. Neste momento não sei qual o estado do percurso de Canelas mas, ainda há pouco, apenas algumas tabuletas eram visíveis num carreiro abafado pela vegetação. O António Sá e a Ana Pedrosa que produziram o referido artigo, são pessoas com ligação comercial à região (o António organiza por aqui uns passeios fotográficos) e seguramente a vêem numa perspectiva selvagem. Nada mais. Aliás, o texto só engana quem não sabe ler: “Ao percorrer os trilhos que seguem os esteiros de Salreu e Canelas temos a oportunidade de assistir a uma aula natural em que, a qualquer momento, podemos ser surpreendidos com a parada nupcial de um casal de águias-sapeiras, com o risco azul-metálico de uma pica-peixe em voo rasante, com a pose quieta das garças-vermelhas, que aqui se agrupam na maior colónia da espécie em Portugal, ou até com uma rela, tão verde como as plantas por onde trepa”.

Pois, até pode ser que se encontre uma rela, ou mesmo nada já que habitam mais aves marinhas no cais das colunas em Lisboa – e mais relas no meu poço - do que em toda a área BioRia. Se devemos valorizar o que temos? Sim. Mas exigir igualmente seriedade no que se faz e, diz.