inaugurada oficialmente pelo respectivo ministro, a época de incêndios é neste manicómio a céu aberto, uma similaritude da época de caça, uma festiva continuação dos pródigos carnavais que varrem o país de norte a sul, nestes tempos de broncos criminosos.
devo reconhecer a própria incompetência para incendiar duas pinhas e fazer um brasido para grelhar qualquer coisa, pelo que me custa acreditar nos inúmeros incêndios que espontaneamente, no dizer das competentes autoridades, esturricam o património público e privado, logo que a tutela declara aberto o período de nojo.
o que temos, é um povo criminoso e estúpido, que vê na calamidade dos incêndios a satisfação da vingança sobre o vizinho, o espectáculo dos helicópteros e carros de combate aos incêndios, o lucro obtido na comercialização de madeiras ardidas, na vendas de materiais de combate, ou no aluguer dos meios aéreos.
um espectáculo que a todos lesa, tolerado por milhares de idiotas, parcamente punido na lei, solenemente inaugurado pelo senhor ministro que em cada ano, garante a prontidão e suficiência de cenários e actores para que a festa tenha lugar.

