Sábado, 30 de Outubro de 2010

condenados à nascença

ainda acerca do post infra, o que se percebe do essencial, é que já não há miúdos que cheguem para tanto entertainer, daí a ideia peregrina de celebrar um protocolo que dividisse a canalha existente pelas entidades concelhias instaladas. um gajo lê, e fica incrédulo.

se esta gente tão dedicada às crianças tivesse feito alguma coisa de jeito na sua adolescência, ocuparia hoje o tempo no desempenho das suas funções; seriam altos quadros, investigadores, médicos, engenheiros, de forma geral úteis a si e ao país, e não teriam tempo para andarem a foder o futuro dos outros. e se tivessem, ensinariam os miúdos a serem investigadores, economistas, ou mesmo serralheiros que bem precisos são. ajudariam estes miúdos a construir  uma carreira ou profissão, com a qual ganhassem a vida e contribuíssem para o país sair deste atoleiro. infelizmente, o que aprenderam foi isto. em vez de escola, fizeram andebol e nem sequer perceberam que este não é o caminho.

sei que estas linhas são perfeitamente inúteis. o país é de broncos e quem aqui nasce tem de viver e morrer com os ditos. salreu terá a sua equipa de andebol feminino e com isso desgraçará desde já a vida a uma série de jovens que irremediavelmente abandonarão ou concluirão o período escolar sem o aproveitamento ou qualificações necessárias à integração num mundo do trabalho sempre mais escasso e exigente. quando chegarem à idade adulta, serão como os outros, caixas temporários num supermercado se conseguirem a vaga, e entertainers para tramarem os miúdos seguintes. é o nosso fado e como prevê a UE, em 2020 conseguiremos ser ainda menos qualificados do que atualmente.

ora esta gente, poderia viver a vidinha que para si construiu, sem prejudicar ninguém, sem comprometer o futuro de outros, sem gastar o dinheiro público em merdas. poderia perfeitamente estar em casa, a bater punhetas a grilos ou fazer renda de bilros, artes bem mais nobres do que tramar o futuro das gerações seguintes.

mas, de acordo com a cultura local, irão mesmo para a frente com a equipa de andebol feminino, para gaudio de meia dúzia de pais igualmente broncos. nesta fatalidade e para ultrapassar as dificuldades na captação dos futuros atletas, em vez do utópico protocolo, sugiro antes um sistema de trocas. por exemplo; troco duas andebolistas da classe pintelho, por três do escalão lisinhas. pode ser que resulte…