Quinta-feira, 18 de Novembro de 2010

defender o serviço nacional de saúde (II)

ainda sobre o serviço nacional de saúde. quanto maior o número de portugueses a recorrerem aos cuidados de saúde privados, maiores serão as justificações para a redução e aniquilamento do sns. é previsível que brevemente, apenas recorram aos serviços públicos, os mais pobres, fragilizados, e sem voz para se fazerem ouvir.

contrariamente a muitos outros, a minha opinião sobre este serviço, é que será o melhor serviço público do país, capaz de rivalizar com qualquer outro nesta área, em qualquer parte do mundo. um bem precioso que a cambada parece não perceber, nem saber preservar.

os neoliberais que defendem a sua insustentabilidade e necessária extinção, a bem das contas públicas, ou são parvos, ou fazem-nos por mesquinho interesse próprio ou, o mais normal, para bajular e favorecer essa casta típica de empresários indígenas que desde sempre, apenas sabe fazer fortuna à sombra do estado, melhor dizendo, dos contribuintes.

aceito que o custo deste serviço é grande e que o seu financiamento seja, cada vez mais, complexo, até porque, como é sabido e o dizem os soares, é fazer autoestradas e aeroportos e comboios de alta velocidade que o dinheiro sempre aparece. para o necessário é que já é preciso fazer contas.

ora o bom do zé povinho, aceita estas inevitabilidades forjadas pelos fazedores de opinião, de conluio com os melos, os espíritos e os santos, e lá vai a correr subscrever um plano de saúde, já agora e preferencialmente, numa seguradora propriedade dos mesmos, sem grandes alaridos.

para além da questão ideológica do serviço público de saúde, para todos e tendencialmente gratuito, a verdade é que vai faltando o dinheiro para manter a ideologia. a pergunto que faço poderá ser idiota – também tenho direito. porque razão os segurados não são tratados nos hospitais públicos, pagando de acordo com os plafonds estabelecidos com as seguradoras?

creio que a única razão aceitável para se pagar a saúde nos hospitais privados, será a questão das esperas. de resto, tudo é melhor no sns. no caso das maternidades e por exemplo, paga-se facilmente no privado 5, 6, 7 mil euros por um parto, em péssimas condições – veja-se algumas das instalações – e, se a coisa der para o torto, a parturiente arrisca-se a ir de charola para um hospital público porque, algumas destas unidades privadas não têm material de suporte à vida.

talvez não fosse má ideia, o sns oferecer serviços equivalentes aos privados, a quem possa e queira pagar, como meio de ajudar o financiamento necessário à sua manutenção. não no modelo das ppp porque aí, como se constata, os lucros vão para os privados, e os prejuízos são remetidos aos contribuintes.

no meu caso, tem aqui um cliente,