Sexta-feira, 12 de Novembro de 2010

poderemos queixar-nos?

imaginemos que, em vez de gastarem o dinheiro de forma perdulária em obras faustosas e não reprodutivas como os estádios para a bola, as auto-estradas onde passa um carro de vez em quando, nos milhões de estudos encomendados a amigos, e tantas outras incontáveis desonestidades, tendo sido governados por gente séria e competente, e as apostas feitas na educação, no ensino de qualidade, na investigação, no desenvolvimento tecnológico, estaria hoje o país a mendigar empréstimos de capital para poder comer o pão de cada dia?

seríamos hoje uma nação de velhos iletrados, dependentes de esmolas sociais? teríamos o futuro de várias gerações empenhadas ao capital especulativo? teríamos milhares de pessoas em idade ativa a roçar o cu pelas esquinas? seriam os nossos jovens na sua generalidade, os boçais analfabetos funcionais que passeiam a sua nulidade com argolas penduradas no nariz, como os porcos, e brincos nas orelhas como o gado vacum?

os tempos futuros serão bem piores que os atuais. o emprego tal como o conhecemos acabou e o que resta, está em vias de extinção. não há mais trabalho braçal, nem nas obras. o emprego do futuro será raro e altamente exigente, apenas acessível a indivíduos altamente qualificados, criativos, empreendedores, educados e instruídos. há dias, a imprensa noticiava que um jovem de 11 anos teria sido contratado pela microsoft como analista. é esse o emprego do futuro, para quem ainda não percebeu.

os irresponsáveis que chegaram ao poder central ou local, andaram a enganar velhos com passeios em autocarros, e novos com atividades desportivas e brinquedos tecnológicos. o essencial, o estudo e a educação, ficou para trás. para ajudar à festa, muita desta gente completamente imbecilizada, constitui-se em entidades desportivas e associações de entretenimento, já agora, subsidiadas pelos autarcas que assim compram votos com dinheiro público, enquanto governam a vida própria.

poderá o povo queixar-se? claro que não. sempre teve a soberania nas mãos e jamais a soube exercer. inculto, estúpido e reverente, achou que poderia viver sem trabalhar no país ficcionado que lhes era vendido por senhores engravatados que deveriam estar engavetados e infelizmente, andam à solta a assaltar bancos, e o povo em geral.

também não vale a pena torcer a orelha. nem em duas gerações nos tornaríamos suficientemente competentes para construir um país capaz de ganhar o pão que come. continuaremos a servir de capacho a quem trabalha e produz, vivendo a miséria consequente à estúpida ociosidade que nos vem com a pele.