Segunda-feira, 15 de Novembro de 2010

um povo assim, não merece outra coisa

a propósito do post infra, li diversas referências quanto ao facto de haver gente desempregada que não aceita trabalhar.

relembre-se que dos 600.000 desempregados, cerca de metade não recebe qualquer abono. dos restantes, a grande maioria recebe o valor mínimo, 475 euros, livres de impostos, montante baixíssimo quando comparado com outros países europeus, a que têm direito em função dos anos de contribuições para o sistema.

o patronato miserabilista que se lamenta nas televisões da falta de candidatos - melhor será dizer escravos – é esse o salário que oferece, quando não, menos do que o mínimo; 475 euros por um mês de trabalho, sujeito aos devidos descontos, para grande indignação geral, e particularmente de muitos pensionistas ignorantes que, sem terem feito descontos para o sistema, lá vão recebendo alguma coisa.

alguém que está no desemprego com 475 euros, sem descontos, custos de transporte, alimentação (em casa come o que houver) e, caso tendo filhos, sem custo dos infantários, irá trabalhar por aquele valor?

por estas aldeias, ainda se deixam crianças nos centros sociais a 100 euros mensais. nas cidades, um infantário que não seja simplesmente um depósito de crianças, custa 700.

os parodiantes em funções, têm lidado bem com a estupidez geral, despertando e remexendo os ódiozinhos desta populaça mumificada, assim mantendo o poder enquanto arruínam definitivamente este acampamento mal frequentado. a perseguição às classes privilegiadas, seja isso o que for, merece por princípio, a aprovação dos ignaros. foram os professores, médicos, enfermeiros, magistrados e por fim, o comum funcionário público; enxovalhados, despromovidos, carreiras congeladas, vencimentos reduzidos, impostos aumentados. os brutos bateram palmas.

passou-se depois aos miseráveis; congelamento das pensões, redução das comparticipações, fecho de serviços de saúde. as bestas continuaram a aplaudir.

entrámos na fase da perseguição aos desvalidos, a braços com bocas para alimentar com um subsídio de desemprego temporário, após o que serão obrigados a escravizarem-se a um destes empresários de salários mínimos e ferraris à porta. a turba continua a aplaudir.

enquanto isso, sem intervalos, o acampamento continua a ser saqueado. os espoliados, vão-se regozijando com a desgraça do vizinho. enquanto isto, o ladrão rouba-os a todos.