A curto prazo, Portugal não tem qualquer hipótese de sair desta espiral de miséria em que se encontra. Continuadamente, os cidadãos serão espoliados do fruto do seu trabalho até ao empobrecimento geral e consequente falência económica e social.
A riqueza faz-se nas mais valias que a inovação e consequente produção, permitem obter nos mercados internacionais. Para isso, é necessário possuir três factores essenciais:
1. Verdadeiros empresários que apliquem capital próprio, correndo os riscos inerentes.
2. Um tecido industrial capaz de produzir qualidade a custo competitivo.
3. Mão de obra de alta capacidade intelectual e altamente qualificada.
Quanto ao primeiro ponto, empresários nacionais que arriscam o seu próprio capital, devem contar-se nos dedos de uma mão. O que temos, são mestres de obras encostados às obras públicas cujo único mérito, é o de celebrarem contratos com o Estado nos quais saem sempre grandemente favorecidos. É por isso que nos empenhamos para pagar obras que não interessam a ninguém, desde auto-estradas onde passa uma carro a cada hora, a estádios de futebol onde ninguém joga ou, rotundas e piscinas que são as meninas dos olhos de autarcas provincianos.
Tecido industrial, não temos. Há para aí umas fabriquetas à beira da falência e uns barracões semi-clandestinos. Tudo o que o país tinha em condições de produzir e competir internacionalmente, foi queimado nos festejos decorrentes de 74. Basta lembrar a CUF, a Lisnave ou a Sorefame.
Quanto à mão-de-obra, basta dizer que o primeiro-ministro se formou por fax e ao fim-de-semana, com os resultados conhecidos. O ensino que ensina, é uma referência do passado. Hoje temos doutorados em coisa nenhuma que formam fila à porta dos partidos ou, recorrentemente, nos atendimentos dos centros de emprego, melhor dizendo, de desemprego. As excepções são recrutadas ainda nas faculdades para trabalharem no estrangeiro.
Reverter isto, se começássemos hoje, demoraria entre 15 a 20 anos. Como vamos andar ainda mais uns anos a empobrecer, já não será em tempo útil de servir de consolação a quem hoje se vê espoliado do fruto do seu trabalho.