Não foi brincadeira de carnaval, não foram meia-dúzia de indigentes a protestar contra o preço das bejecas, não foram meninos bem a reclamar emprego, conforme os apóstolos de serviço ao regime tanto pregaram.
quem vai observando a blogosfera dá conta das cambalhotas que os escribas de serviço vão dando em função de interesses próprios ou, dos do partido. não se espera de alguém que emite opinião, isenção. a opinião é sempre pessoal, logo, veicula um ponto de vista. o do emissor.
habituei-me a alguns poucos blogs de referência, de entre eles, o portugal dos pequeninos e o jumento. ainda hoje os visito diariamente, respeito e aprecio a verbe dos seus autores mas, as ideias e opiniões expressas perderam aquela pouca isenção que as credibilizava.
em qualquer dos casos, as posições tomadas radicam no princípio manhoso de que se é amigo não tem defeito; se é inimigo e não tem, arranja-se.
os textos publicados nos últimos dias no jumento acerca da manifestação dos à-rasca, são pura parvoíce, para lhes não atribuir adjetivo mais apropriado. o autor sabe perfeitamente que as oportunidades de primeiro trabalho, nos dias que correm, não são as mesmas que havia quando terá começado. no meu caso, tive dificuldade em decidir-me pelo primeiro emprego, já que tinha três ofertas simultâneas. saberá igualmente que as solicitações a que os jovens são atualmente sujeitos, nada têm a ver com o que se passava há 30 anos atrás. saberá ainda que nada nem ninguém pode progredir quando alinhamos pela fasquia mais baixa. manifestar acordo a baixos salários, à redução de qualidade de vida, ou ao corte nas pensões de reforma, é apenas oportunismo conjuntural. esquece seguramente que quanto mais estes indicadores baixarem, menor será a sua própria qualidade de vida, e mais baixa a sua própria pensão quando chegar a sua vez.
quem leu aquele blog antes da sua declarada adesão ao PS, será tentado a pensar que o autor não será o mesmo. percebe-se que teve de mudar. criticas ao patrão, costumam acabar no fundo do desemprego.
já quanto ao doutor gonçalves do portugal dos pequeninos, peca pela defesa intransigente dos amigos, nomeadamente os senhores cavaco e silva e santana lopes. a coisa raia o ridículo, tanto mais que estas personalidades apenas se têm destacado pela sua pouca significância política, e pelo papel que desempenharam na triste situação a que chegou este país.
claro que, tal como os referidos, o que aqui vou debitando não é isento. apenas opinião. acontece no entanto, que não sendo isenta, é apartidária, sem amiguismos, e minimamente solidária. defensora de um país mais sério, trabalhador, rico e justo. aqui não se alinha por baixo não se defende a miséria, e muito menos se apaparica quem nos fode.
provou-se esta tarde no sítio certo, a rua, que precários, somos todos nós. enganados, espoliados, roubados e fodidos.
quero acreditar que, se um dia este país vier a ser um lugar onde se possa viver do trabalho honesto, teremos na rua todos os precários albergados nos e pelos partidos. será então a sua hora de reclamar um subsídio de desemprego, uma pensão de subsistência, ou a reforma que hoje condenam a quem cumpriu todos os preceitos determinados para a sua obtenção. espero que na ocasião, ninguém lhes chore o pão, os mande trabalhar, ou para algum outro sítio menos próprio.

