Para começar, os nossos parceiros do Norte da Europa não estão propriamente ‘desiludidos' com Portugal; eles querem, em resumo, esfolar-nos vivos. E o ‘resgate' que aí vem não será, como foi para a Grécia ou para a Irlanda, um mal necessário; será uma punição vingativa para civilizar os selvagens. Não que os selvagens não mereçam reprimenda e orelhas de burro. Mas, por uma questão de decência, convinha disfarçar em público.
Ninguém disfarça. A começar pela própria União Europeia que, ao contrário do FMI, quer sangue. Perante isto, seria elementar que um estadista, ou um candidato a estadista, dissesse duas coisas. Primeiro, que a nossa irresponsabilidade não tem desculpa; e, depois, que a humilhação corrente também não. O que implicaria saber se vale a pena aceitar um pacote de austeridade antes da reestruturação inevitável só para que os bancos franceses ou alemães não levem com uma pesada tosquia. Infelizmente, não temos estadistas. Entregues aos cães, vamos sofrer como cães.

