estamos a poucas horas de saber o quanto vamos ficar mais pobres, com a bênção e ajuda da comunidade internacional. mais pobres, no imediato e absolutamente miseráveis num futuro bem próximo.
é um aumento brutal na dívida a juros que um país a crescer 1%, jamais poderá pagar. nem sequer os juros, quanto mais o capital. se no plano que se espera não estiverem inscritas medidas para relançar a economia e isto passa essencialmente pela produção de bens exportáveis, resta-nos deitar a corda ao pescoço ou, emigrar para bem longe.
batemos bem no fundo e deveremos ficar eternamente gratos à cambada de inúteis, oportunistas, vigaristas e incompetentes que transformaram este país, eternamente atrasado e rural, num oásis para as construtoras civis, banca, e um punhado de amigos encostados ao regime a quem foram vendidas a preço de saldo empresas estratégicas como a galp, edp ou a portugal telecom, património rentável, em nome da livre concorrência e do benefício que a privatização traria aos consumidores. viu.se.
gratos igualmente a nós próprios, eleitores imbecis e idiotizados que legitimámos todas as trafulhices, que aceitamos a corrupção, o desleixo, o tráfico de influências sem que nos doa a coluna vertebral ou os tomates, porque não os temos. a nosso lado, nomes como cavaco, guterres, ferro, soares, constâncio, loureiro, sócrates, e tantos outros, ficarão indubitavelmente guardados na caixa dos figurões que um dia integrarão o anedotário nacional.
foram décadas de lapidação do património publico e privado. décadas durante as quais, impunemente, qualquer aldrabão roubou o que pôde, sem que nada lhe sucedesse. os escândalos fizeram as manchetes que a espuma dos dias rapidamente lavou. desde a vigarice do bcp que emprestou dinheiro aos seus clientes para que estes comprassem acções daquele banco a 5€, valor nominal forjado por trafulhices, e que hoje valem 50 cêntimos, passando por golpes como o freeport ou o aterro da beira, às parcerias público privadas, às golpadas dos estádios de futebol, das auto-estradas paralelas, foi um período de oportunidades na nossa história.
as formiguinhas incansáveis das autarquias, dia e noite a cavar o buraco com empreitadas de betão, a desbravar rotundas, pavilhões polidesportivos nos cabeços dos montes, piscinas novas lado a lado com outras já existentes, tudo obras de grande impacto na formação moral e escolar das novas gerações já que as anteriores, estão solidamente embrutecidas e infantilizadas.
portanto, muito obrigado também aos senhores autarcas que ajudaram à falência, por tão bem terem sabido dar os dinheiros públicos às colectividades locais, pródigas a manterem os mais novos eternamente crianças, pelas inúmeras festas e carnavais que patrocinaram, pelos passeios anuais dos idosos ali ao lado, pelos bonés, chapéus de chuva, cachecóis, esferográficas e sacos de plástico que lhes ofereceram em troca do voto, pelos parques de merendas, pela manutenção dos impostos nos mais altos escalões, bem hajam.
amanhã, os credores apresentam-nos a factura.

