a medo, não vá a coisa pegar-se, as televisões lá vão dando um cheirinho da situação grega, fazendo passar a ideia de que o campo de batalha instalado, não passa de umas manifestações promovidas por anarcas. os gregos estão em guerra com o sistema, a um pequeno passo da falência (esta, inevitável) e, a curto passo de uma guerra civil.
a situação é aterradora. milhares de famílias caíram na mais profunda miséria de um dia para a outra. lá, como cá, as soluções são as habituais: mais impostos, menos salários, menos solidariedade, maior precariedade, uma receita conhecida e recorrente.
lá como cá, a europa rica e industrializada, subsidiou o abate das frotas pesqueiras, a liquidação das agriculturas, a falência da indústria e do pequeno comércio, com a finalidade de alargar os mercados para os seus produtos e reduzir significativamente a concorrência no espaço comunitário. gregos e tugas, esfregaram as mãos. viver sem trabalhar, sabe sempre a figos.
decorridos os anos e acabados os subsídios, vivemos as consequências da irresponsabilidade e provavelmente, alguma ingenuidade que levaram uma classe política formada nas escadarias das faculdades, a trocar todo um sistema produtivo por uns largos biliões de euros.
gregos e portugueses não terão outra saída que o abandono do euro. reconstruir-se-ão à força de trabalho sério, por cima dos cadáveres das vítimas que sucumbirão à fome, à desesperança, ao desalento de retrocederem séculos de evolução.
para alemães e franceses, se a coisa ficar por aqui, serão menos uns milhares de carros vendidos, umas linhas de tgvs e uns poucos submarinos. nada de especial.
e numa coisa concordo com o defunto sócrates e respectivos antecessores: a história vai lembrar os seus nomes.

