é em estarreja, a cidade rainha do carnaval, seja ele de samba, noites de camisola interior ou, concursos de doçaria.
pelos eventos que promove, patrocina, comparticipa e financia, a autarquia deve merecer todo o nosso carinho e impostos que nos reclama pela simpática via da extorsão fiscal. o senhor abençoe os 300 funcionários que, sob o visionário comando dos nossos eleitos, tão esforçada e diligentemente, diariamente, dão o melhor de si para manter viva a gigantesca palhaçada que vai entretendo os trolhas, enquanto os ditos são esfolados, espoliados, gamados e palmados de tudo o que é seu ou, possam ainda ter.
o concurso doce do antuã, é um must de imaginação, criatividade e capacidade para a arte do riso que só mesmo gente alienígena pode conceber. um evento cuja importância para a região, logo escorre, perdão, se discorre, em função dos patrocinadores em causa, tudo elegantes entidades que mamam do orçamento, concretamente, do bolso da gajada pagante, por via directa ou não; a destac, em parceria com a câmara municipal de estarreja e a sema – associação empresarial, e com o apoio da Região de Aveiro. como se percebe tudo cabedal fino, palavras doces e saberes da velha arte da comedoria.
como não podia deixar de ser, o doce vencedor, muito apropriadamente, é algo que se origina nas mais profundas tradições gastronómicas locais, pois como todos sabemos, por aqui, os campos de grão-de-bico são a perder de vista e desde imemoráveis tempos que os trolhas concelhios deglutam, comem, enfardam, ajavardam, alguidares do dito de manhã, à tarde, e à noite. feijão, isso nem se fala. os reconhecidos odores da zona, injusta e maliciosamente atribuídos à fábrica de cacia, todos sabemos serem gases fermentados nas pançadas de feijão que o pessoal alambaza. e quanta a amêndoas, isso nem é bom pensar. um gajo não dá dois passos sem tropeçar numa amendoeira ali posta mesmo de propósito só para atrapalhar quem passa. uma praga que cresce mesmo no cimento, tal qual a junça, sem falar nos milhões de turistas kasobardinos que aqui vêm acampar para disfrutarem dessa maravilha da natureza antuanense que é, as amendoeiras em flor.
logo, uma especialidade doceira composta com tais ingredientes, verdadeiros embaixadores no mundo da inigualável gastronomia estarrejense, só nos pode honrar e fazer jus aos parolos que a autarquia pensa que somos.
aos leitores espalhados pelo mundo, aqui deixo o convite para virem provar o pastel do antuã, essa nobilíssima especialidade doceira que é o nosso cartão de visita gastronómico, um doce que só não é citado no guia Michelin devido à obscura campanha negra em curso, mantida por invejosos pasteleiros de todo o mundo que se não querem render à nossa iguaria. o doce típico de estarreja, confeccionado com o mais genuíno grão-de-bico cultivado nas baixas do rio do mesmo nome, envolvido de uma fina massa de autêntico feijão estarrejeno, e aveludado pelas doces amêndoas criadas nas freguesias concelhias, é uma doce que nos enche de orgulho e queremos partilhar convosco. só não venham em grupos maiores de 10 que o hotel da terra é pequenito, e não esqueçam de uma malita de supositórios de vaselina, só por prevenção, poderão as farmácias locais não terem quantidades suficientes disponíveis.
merecidos parabéns ao juri do concurso, pela esclarecida e profunda cultura da gastronomia local e dos produtos tradicionais, demonstrada na eleição do nosso nobre pastel de grão-de-bico, primus inter pares, e a quem desejo uma boa viagem de volta à galáxia de andrómeda.

