não nos devemos admirar pelo facto do poder fechar escolas, encerrar extensões de saúde, cobrir as bestas de impostos, reduzir-lhe a ração, enquanto constrói equipamentos desportivos para quietude do gado. não nos devemos admirar porque nestes tempos impios, quem chega ao poder, em nada é diferente de quem o lá pôs.
com dinheiros públicos, a refer melhorou recentemente o apeadeiro da freguesia de canelas, no concelho de estarreja, apeadeiro este que a dita pretendia encerrar, provavelmente com toda a razão, e só o não fez dado as diligências de um grupo de fregueses que se incomodou na defesa de uma estrutura considerada importante para a localidade.
passados poucos meses, o apeadeiro apresenta-se de acordo com o gado – e que me perdoe quem se não revê nesta classificação – que o frequenta. pergunto: como é possível que uma estrutura pública, que serve uma população que sem a mesma vai a pé até estarreja, que deveria ser, como já foi no passado, um orgulho dos canelenses, que deveria ser preservada porque custou dinheiro que não temos, porque é património colectivo, possa ser, em poucos meses, vandalizada ao ponto de se parecer com um despejo de ferro velho.
todas as paredes estão grafitadas com as parvoíces que bípedes sem cérebro podem produzir. as redes de segurança foram roubadas, seguramente para fazer capoeiros. tubos de inox foram serrados e roubados sem que se perceba para quê. os bancos de espera desapareceram. os rebordos dos muros da gare arrancados e despejados para a berma exterior. os botões dos equipamentos elétricos arrancados. os elevadores permanentemente vandalizados e inoperacionais, etc., etc.
que tipo de animais são estes? que educação, que civismo, que responsabilidade possuem estes energúmenos? obviamente que os equipamentos instalados são demais para esta fauna. umas varas a separar a gare das carruagens seria mais que suficiente. e quanto a carruagens, são de todo inadequadas aos utilizadores. vagões, seriam bem mais apropriados.
o país económico e social que hoje temos é ele resultado do povo que somos. passei a meio da tarde perto da escola desta aldeia. surpreendeu-me a guincharia que se ouvia. chamei-me à razão para realizar que a barulheira que se ouvia não provinha de um qualquer zoológico mas sim do que deveria ser uma escola. um dia destes lá entrarei para tentar perceber que educadores e que educação ali se ministra. de certo que a vandalização supra referida muito tem a ver com a educação que se ministra e recebe e, aceitando que os educadores não têm de ser pais, no mínimo, têm de cumprir a missão para a qual são pagos missão essa que não será pastorear e sim, ensinar.

